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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 29 (AE) - A partir de amanhã toda a cadeia automotiva está liberada para demitir. Mais de 500 mil empregados de montadoras, indústria de autopeças e concessionárias perdem o direito à estabilidade que lhes foi garantida no acordo automotivo emergencial, cujo prazo se encerra nesta terça, dia 30. O setor não fala em demitir agora. Nenhuma empresa quer correr o risco de enfrentar a quase convulsão social em que se transformou a tentativa de cortes na Ford na véspera no último Natal. Mas, nos bastidores, fontes da indústria garantem que haverá muitas demissões a partir de janeiro.
No acordo emergencial, o governo liberou o setor para aumentar preços a partir de 30 de setembro passado. Mas exigiu que o emprego fosse garantido até 30 de novembro. São 93 mil empregados em montadoras mais 167 mil nas fábricas de autopeças e cerca de 250 mil em concessionárias. A indústria de veículos deverá demitir a partir de janeiro, embora ninguém fale oficialmente sobre o assunto.
Na indústria de autopeças, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, estima manter o nível de emprego em 167 mil trabalhadores durante todo o ano 2000. Embora o setor esteja trabalhando com capacidade ociosa em torno de 30%, ele espera que o programa de renovação da frota e contratos de exportação resultem em mais encomendas.
Nas concessionárias, as demissões são mais pulverizadas, segundo o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia. "Deve haver algum ajuste", admitiu. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana, afirmou que as ameaças de demissão neste final de ano estão menos intensas do que no final de 1998. "Mas a preocupação vai aumentar em janeiro", disse.
Em dezembro passado, além da Ford, que tentou demitir cerca de 3 mil - e posteriormente voltou atrás - também a Volkswagen ameaçou com dispensas. Nos dois casos, o sindicato fechou acordos para reduzir o número de excedentes por meio de programas de demissões voluntárias e aposentadoria.
Mercado fraco - O mercado de veículos está bastante fraco. O presidente da Fenabrave previu hoje que o volume de vendas este mês deverá ser equivalente a 80% do mercado de fevereiro, o pior mês do ano. Isto significa total de vendas em torno de 65 mil unidades. A indústria tem capacidade para vender quase 200 mil veículos por mês. Todas as marcas fizeram promoções no final de semana, mas o resultado foi fraco para quase todos os concessionários.
"Acho que daqui a pouco vamos fazer a promoção compre um carro e leve dois", disse Hugo Maia. Fabricantes e revendedores dividiram a despesa com bônus, o que resultou em descontos entre 10% e 12%. Segundo fontes, o volume de vendas a frotistas na Volkswagen caiu da média de 5 mil para menos de 2 mil veículos por mês.
A rede Volkswagen conseguiu vender melhor neste final de semana por meio de um feirão a preço de custo. Mas os concessionários Ford e General Motors já estão registrando no mês quedas entre 30% e 40% ou até mais. "Normalmente vendemos 200 carros por mês, neste vamos chegar a 120". disse o gerente de vendas da Trans-Am, concessionária Chevrolet, Almir Motta.
Na Ford, promoção especial para o Ka não foi suficiente para aumentar as vendas do modelo. Com bônus dividido entre o fabricante e os revendedores, o preço do veículo baixou de R$ 14.800 para R$ 12.500. "Nem assim vendemos", queixou-se o gerente de vendas da Souza Ramos, Marcelo Loureiro.


