Rio, 29 (AE) - A inflação entre os dias 21 de outubro e 20 de novembro foi de 2,39%, segundo o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ). A alta foi a maior registrada desde março, quando o índice chegou a 2,83%. Mas os técnicos da fundação já prevêem queda do custo de vida em dezembro.
A estiagem no campo foi a maior responsável pelo alto índice, que já era esperado pelo chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota. A alta de 3,26% do Índice de Preços por Atacado (IPA) - de maior peso no cálculo do IGPM - foi influenciada pela elevação de 5,42% dos preços dos produtos agropecuários. "Isso é efeito só da estiagem, não tem dólar não", afirmou Melo Cota.
O mesmo fenômeno resultou na alta de 1,15% do Índice de Preços do Consumidor (IPC), o segundo mais importante na formação do IGPM. Os alimentos tiveram alta de 1,32%. Outros aumentos importantes foram o de 0,72% na habitação, 2% no vestuário e 2,85% nos transportes.
Recuo do índice - O IGPM acumulado neste ano já chega a 17,97%, e Melo Cota previu que o índice acumulado no ano chegue a 20% - enquanto que o IPC de 1999 fique em 9%. O economista previu um recuo da inflação em dezembro, pelo recuo do preço de vários produtos e do fim do efeito do reajuste de alguns serviços, como eletricidade. Os automóveis novos e as roupas devem ter queda de preço no próximo mês por causa da concorrência e da redução nas vendas.
Melo Cota lembrou que a venda dos carros teve uma "queda brutal" ainda em outubro, e o recuo do preço do vestuário é tradicional no fim do ano. O resultado do IGPM já era previsto pelo mercado, segundo o economista-chefe do Banco Bozano, Simonsen, André Loes. Ele acredita que o governo, para conter a inflação, atue no mercado de dólar, sem elevar novamente os juros no fim do ano.

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