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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 29 (AE) - A chefe do Departamento de Fiscalização do Banco Central (Defis), Tereza Cristina Grossi Togni, será a nova diretora de Fiscalização do BC, no lugar de Luiz Carlos Alvarez, que se demitiu na sexta-feira, depois de conceder uma explosiva entrevista coletiva. Ela foi indicada hoje, pelo presidente do BC, Armínio Fraga, para o cargo ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. O nome de Tereza será encaminhado para aprovação do Senado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Até a sabatina e sua aprovação pelo plenário da casa, Carlos Eduardo de Freitas, diretor para Assuntos de Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, continuará respondendo pela Fiscalização. Se o nome de Tereza for aprovado ela será a primeira mulher a ocupar um cargo na diretoria do BC.
"Sua experiência e competência a qualificam para conduzir uma área que é prioritária para o Banco Central e o governo", afirmou Fraga em nota lida pela assessoria de impresa."É a resposta do Banco Central à saída de Alvarez", disse um assessor da diretoria do banco. Tereza, segundo o assessor, é "cria" de Alvarez, ou seja uma pessoa do quadro do BC, trazida de Belo Horizonte pelo ex-diretor e treinada por ele.
Foi Tereza quem tocou grande parte da operação realizada pelo BC com os bancos Marka e Fonte Cindam em janeiro passado, objeto da investigação da CPI do Sistema Financeiro. Na época ela ocupava interinamente a chefia do departamento porque o títular, o próprio Alvarez, estava de férias. Tereza foi, inclusive, citada no relatório final da CPI.
Assessores da diretoria do BC afirmaram, hoje, que apesar de concordar com a posição de Alvarez com relação à impropriedade do relatório final da CPI do Sistema Financeiro, o governo não tinha como mantê-lo no cargo depois que ele recheou uma entrevista, que era para ser eminentemente técnica, de adjetivos que atacavam os senadores. "Ele realmente pediu demissão se antecipando aos fatos", revelou um assessor.
De acordo com esse assessor tudo foi acertado para que Alvarez rebatesse um a um, tecnicamente, os pontos do relatório. Só que isso não foi possível pelo sangue quente do ex-diretor. "Chegou a ser combinado que ele poderia usar na entrevista três adjetivos para qualificar o relatório: inadequado, inapropriado e equivocado", contou a fonte. Já no elevador, ao sair da entrevista, alertado para a repercussão que teria palavras como "lixo", Alvarez rebateu que não estava pregado à cadeira de diretor do BC. "Não vou deixar que ataquem o Banco Central desta maneira", teria dito o ex-diretor antes de entrar na sala e ligar para o presidente do BC, no Rio de Janeiro, colocando o cargo à disposição. A sucessora de Alvarez no cargo é considerada um osso duro de roer.
Prova disso os próprios senadores já tiveram, disse uma fonte. Tereza fez um dos melhores depoimentos na CPI no Sistema Financeiro, onde não deixou de responder a nenhuma pergunta, interrompendo a toda hora os senadores para explicar ou corrigir uma interpretação. Em outra ocasião, também no Congresso Nacional, na teleconferência sobre reforma administrativa, Tereza disse que o Nordeste não precisava de ter uma unidade de fiscalização do BC porque lá só tinha banquinho.


