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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 29 (AE) - O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, afirmou hoje que a Parcela de Preço Específico (PPE), um dos itens que compõem o preço da gasolina e do diesel, já está deficitária em novembro. Ele não quis divulgar valores, mas explicou que o impacto decorre das recentes altas dos preços do petróleo no mercado internacional que não tiveram repasse no mercado interno.
No mês passado, o governo decidiu fazer um ajuste na PPE
o que acarretou, em outubro, perda de cerca de R$ 100 milhões para a Petrobras e aumento da arrecadação do Tesouro. As maiores pressões vêm do preço do gás liquefeito de petróleo, da nafta e do querosene de avião. "É possível que a PPE encerre o ano deficitária, mas tudo vai depender de como será o consumo de combustíveis nesse final de ano e do comportamento dos preços no mercado internacional", explicou.
O diretor ressaltou que o valor do barril de petróleo subiu mais de 160% este ano. "Não existe mágica." "Alguém vai acabar pagando a conta", afirmou. Ele explicou que se o consumidor de combustível não pagar a conta, a União paga, e, consequentemente, todos os contribuintes. Segundo ele, o atual nível do preço do petróleo não deve se manter por muito tempo, com o barril recuando para a casa dos US$ 17 ou US$ 18. "É difícil que se volte ao patamar de sete meses atrás, quando o barril custava em torno de US$ 10", previu.
Zylbersztajn revelou que o governo prefere analisar com cuidado o comportamento do preço no mercado internacional antes de decidir se reajusta ou não os preços internos. O executivo alegou que a equipe econômica optou por analisar a situação em um "espectro maior e mais amplo", que leve em consideração o comportamento das contas públicas e também o bem da sociedade.


