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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 29 (AE) - Apesar dos esforços e da expectativa brasileira de conseguir progressos na Rodada do Milênio na Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle, para derrubar barreiras tarifárias e abrir novos mercados para os produtos agrícolas, há uma outra dificuldade para o comércio dos produtos brasileiros de maior valor agregado na Europa: a qualidade. Para o representante da Comissão Européia no Brasil, Rolf Timans, o Brasil não deve preocupar-se apenas em derrubar barreiras para os produtos agrícolas, mas deve investir na competitividade de seus produtos e na marca Brasil. "Muitas vezes as pessoas estão tomando café brasileiro na Europa e não sabem que este café vem do Brasil", disse.
Para Timans o Brasil ainda não promoveu toda a abertura que pode na área industrial e ainda possui procedimentos alfandegários que prejudicam o comércio. Ele cita como exemplo das dificuldades do comércio com o Brasil o sistema de licenças não automáticas para importação de produtos. De acordo com o embaixador da União Européia, mesmo que os ministros reunidos em Seattle para o lançamento da Rodada do Milênio não consigam consenso para preparar o texto, isso não significa que a rodada não vai começar. "O encontro de Seattle vai tratar basicamente do texto e, mesmo que não evolua, não vai atrapalhar as negociações entre o Mercosul e a União Européia.
Na semana passada, representantes do Mercosul e da União Européia iniciaram as primeiras negociações concretas para o estabelecimento de uma área de livre comércio entre os dois blocos. O encontro serviu para definir a estrutura, a metodologia e o calendário das negociações.
Foi criado um comitê de negociações e três grupos de trabalho. Um deles vai discutir acesso a mercado e vai tratar, entre outros temas, de barreiras tarifárias e não-tarifárias; outro grupo, o de serviços, vai discutir investimentos, circulação de pessoas e direitos de propriedade intelectual, comercial e industrial. O terceiro grupo vai discutir regras e disciplinas, o que significa estabelecer normas sobre competição
salvaguardas, antidumping e disputas comerciais.
Também ficou acordado que o Comitê de Negociações deverá se reunir pelos menos duas vezes por ano. O primeiro encontro será entre março e abril do ano que vem, em Buenos Aires. A área de livre comércio entre os dois blocos não deverá ser assinada antes do fim da Rodada do Milênio. De acordo com a representação da Comissão Européia no Brasil, o objetivo é não estabelecer bilateralmente acordos que firam o que ficar acertado no âmbito multilateral. No mesmo dia em que iniciou as negociações com o Mercosul, a União Européia assinou o acordo para a criação da área de livre comércio com o México, que ainda deverá ser ratificado pelos 15 países do bloco.


