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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 29 (AE) - A Embratel, operadora de serviços de telecomunicações de longa distância, vai oferecer a partir de março segurança terceirizada de redes, com a implantação de uma central de operações. Um número ainda não definido de técnicos será contratado para monitorar 24 horas por dia as redes dos clientes, detectando falhas e invasões. O investimento não foi divulgado.
Para ingressar nesse segmento de terceirização de segurança virtual, estimado em US$ 50 bilhões no mundo todo em 2002, a Embratel fechou um contrato de exclusividade por seis meses com a Internet Security Systems (ISS), empresa americana que deve faturar US$ 120 milhões este ano.
A ISS é líder nesse segmento e atua em 14 países, com parcerias semelhantes com a MCI, Ameritech, British Telecom entre outras. A empresa tem 52% desse mercado no mundo e pretende conquistar metade do brasileiro em dois anos. No Brasil
a ISS já faturou US$ 3 milhões em apenas seis meses. A nova estimativa de receita para este ano é de US$ 5 milhões.
A parceria com a Embratel deve facilitar os planos da ISS. A Embratel detém hoje liderança absoluta com 85% do mercado brasileiro de infra-estrutura de Internet. "Com essa parceria, pretendemos ter a liderança em Internet mas também em segurança", afirmou o diretor de serviços da Embratel, Eduardo Levy.
Segundo ele, os clientes da Embratel vinham demandando esse tipo de serviço. Com a tecnologia da ISS, a operadora vai oferecer 15 produtos online como proteção contra invasores, gerenciamento de roteadores e de firewall, criptografia, certificação e assinatura digital, controle de vírus, resposta a ataques, controle de conteúdo.
"A Embratel pretende acelerar o comércio eletrônico no País, desenvolvendo o que ainda está faltando, a segurança", afirmou Levy. "Vamos passar da infância para o amadurecimento, aí vai estar a diferença do amador para o profissional", disse. Segundo ele, com o novo serviço, o risco que as empresas têm ao montar um negócio na Internet vai se deslocar para a Embratel.
As atividades da ISS no País têm sido predominantemente de consultoria - 65% na área de serviço e 35% em produtos. A avaliação inicial dos executivos da empresa americana é que os clientes brasileiros se surpreenderam com a vulnerabilidade de suas redes.
"Os bancos são o segmento mais alerta, mas mesmo assim, não tinham a percepção que estavam vivendo uma situação de risco que poderia se tornar crítica", afirmou o presidente da ISS Mercosul, Leonardo Scudere. A ISS diz ter 80% dos maiores bancos brasileiros entre os seus clientes.
Segundo a ISS, as ações de hackers no Brasil já chegam aos 20 mil. O cálculo é feito com base na projeção do Federal Bureau of Investigation (FBI) de que apenas 10% a 15% dos ataques são reportados. Como o Comitê Gestor da Internet relatou dois mil ataques este ano, o total seria cerca de 20 mil.
A ISS considera ainda fazer aquisições no Brasil e restante da América do Sul. "Estamos olhando empresas de consultoria e de serviços", afirmou Scudere. Há dois meses, a ISS adquiriu a Netrex, empresa americana de gerenciamento de segurança, por US$ 80 milhões.


