São Paulo, 29 (AE) - O economista Paulo Nogueira Batista Jr., da Fundação Getúlio Vargas, criticou hoje o que ele apontou como uma contradição que está ocorrendo entre a posição do presidente Fernando Henrique Cardoso e a equipe econômica quanto à adoção da livre conversibilidade do real. Segundo Nogueira Batista, não faz sentido Fernando Henrique pedir controle de capitais no exterior enquanto que aqui o Banco Central vem preparando a adoção da medida para meados do ano que vem, segundo afirmou recentemente um diretor do BC.
O economista fez este questionamento diretamente ao ministro Pedro Malan, durante sua exposição no seminário "O que esperar do ano 2000", no Hotel Transamérica. "Espero que o Malan tenha o mesmo comportamento fiorentino que teve com a reforma tributária e intervenha na hora certa", disse Nogueira Batista. Segundo ele, o Brasil ainda não fez avanços importantes e suficientes para adotar uma medida dessas, referindo-se aos ajustes nas contas do governo. O economista disse que o País precisa reverter a prematura liberalização da conta de capital iniciada no governo Collor e introduzir um modelo moderno de entrada e saída de capitais, como controlar as contas CC-5. Ao ser questionado se isso não afugentaria o capital externo, ele respondeu que um país tem que depender o mínimo desse capital e, por isso, a importância do ajuste das contas fiscais. Nogueira Batista afirmou que a conversibilidade vem sendo questionada por muitos economistas no mundo todo, inclusive com críticas do FMI e Bird.

mockup