Moscou, 26 (AE-ANSA) - A saúde de Boris Yeltsin, como acontecia com a dos líderes da ex-União Soviética, continua sendo aparentemente o segredo melhor guardado do Kremlin, onde médicos e colaboradores do presidente russo desmentiram nesta sexta-feira (26) reportagens publicadas na imprensa sobre sua morte iminente.
O Kremlin confirmou hoje que Yeltsin estava em sua casa de campo tratando uma virose complicada por uma bronquite aguda. Mas não conseguiu convencer a imprensa russa, que continuava divulgando diversas hipóteses sobre o verdadeiro estado de saúde do líder russo.
O desmentido do Kremlin veio após uma jornada na qual alguns sites na Internet reproduziram rumores sobre a hipotética morte clínica de Yeltsin ou de um estado de coma.
Sergei Mironov, médico particular de Yeltsin, assegurou que tudo "está perfeito", enquanto o porta-voz do Kremlin, Dmitri Iakuchkin, esclarecia que, apesar da insistência dos médicos, o presidente não quis ser internado.
O "mal-estar" de Yeltsin, um repentino colapso após uma reunião com os responsáveis pela polícia e do serviço de segurança, surpreendeu a opinião pública, após aparecer na semana passada na cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Istambul, onde demonstrou boa forma física, e parecia combativo, quando foi abordado o tema da Chechênia.
Mas não faltaram também rumores sobre um tratamento "estimulante" ao qual supostamente foi submetido antes da reunião de cúpula e agora estaria sofrendo suas inevitáveis consequências, como informou hoje o jornal Kommersant.
Em Moscou, o termômetro não vai acima dos 20 graus abaixo de zero, uma mudança brusca em relação às temperaturas na Turquia, o que poderia ter causado a bronquite do presidente.
Entre todos os rumores sobre a saúde de Yeltsin, nas últimas horas circularam notícias sobre uma "enfermidade política", versão rechaçada secamente pelo porta-voz do Kremlin.
A imprensa russa destaca que um eventual afastamento de Yeltsin do Kremlin favoreceria o primeiro-ministro Vladimir Putin, o homem forte na guerra contra a Chechênia e o candidato mais cotado para as eleições presidenciais de 2000.
O diário Kommersant não exclui a possibilidade da renúncia voluntária de Yeltsin e a transmissão do poder a Putin.
O presidente, disseram os médicos, deverá permanecer pelo menos dez dias em sua residência de Gorki-9, nas cercanias de Moscou, tempo suficiente para que o ex-chefe dos serviços secretos russos garanta sua posição de premier e a de "herói" da guerra na Chechênia.





