Montevidéu, 26 (AE-AP) - Os candidatos para o segundo turno da eleição presidencial uruguaia de domingo, o socialista Tabaré Vázquez e o governista Jorge Batlle, encerraram oficialmente suas campanhas na quinta-feira à noite trocando acusações e proclamando- se vencedor da disputa.
Com uma ligeiríssima vantagem nas pesquisas - nunca superior a dois pontos porcentuais -, Batlle apresentou peças de propaganda nas quais ridicularizava seus adversários. Vázquez, por seu lado, qualificou de "extravagância" um projeto de Batlle de levar um computador para cada uma das regiões do país como forma de reduzir as diferenças culturais entre os centros urbanos e rurais.
A pesquisa de opinião pública que mostra a maior diferença entre os dois, do instituto Factum, atribui a Batlle 46% das intenções de voto e a Vázquez, 44%. Candidato da coalizão de esquerda Encontro Progressita-Frente Ampla (EP-FA), Vázquez chegou ao segundo turno depois de ter vencido o primeiro com 39,06% dos votos. Já Batlle, candidato do Partido Colorado apoiado pelo presidente uruguaio, Julio María Sanguinetti, obteve apenas 31,92% na primeira votação, realizada dia 31.
A intenção de voto do governista só começou a crescer depois de ele ter recebido o apoio de Luis Alberto Lacalle, candidato do Partido Nacional, ou Blanco, derrotado no primeiro turno. Rivais históricos, colorados e blancos dividem o poder no Uruguai desde o século passado e o ódio entre as duas facções levou o país a uma sangrenta guerra civil após a independência, em 1828. A eleição de depois de amanhã será a primeira votação nacional do Uruguai sem a presença dos blancos.
As duas forças arquiinimigas só se uniram em razão da possibilidade de os socialistas chegarem ao poder. O discurso antiesquerdista marcou a campanha no segundo turno e a EP-FA reclama não ter tido acesso a todos os canais de TV do país. Grupos de ultradireita que proliferaram no país durante a última ditadura militar, de 1973 a 1985, ressurgiram das sombras em panfletos e sites da Internet "alertando" os religiosos uruguaios para o "perigo socialista" e convocando "cada patriota a matar pelo menos um comunista".
No começo da semana, um homem e uma senhora de mais de 70 anos foram agredidos por militantes colorados por estarem limpando o muro da casa onde moram, pichado com frases anticomunistas.
Para evitar atos de violência, a polícia uruguaia já anunciou que não se limitará a uma presença discreta, como ocorreu no primeiro turno. "Todo o efetivo de Montevidéu estará nas ruas da capital neste domingo", disse o comandante da Guarda Republicana, Enrique Navas. "Seremos os primeiros a chegar e os últimos a sair das praças, e só sairemos quando tivermos a certeza de que todos os outros já se tenham retirado."

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