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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 26 (AE) - Ao assumir os serviços de saneamento básico no município de Osasco (SP), no último dia 12, a Sabesp vai trocar a inadimplência da cidade por uma receita adicional entre R$ 7 a R$ 7,5 milhões por mês. Contando as despesas que a empresa terá para abastecer o município, a companhia terá uma margem bruta mensal de até R$ 4 milhões, segundo os cálculos do diretor-financeiro e de relações com investidores da Sabesp, Paulo Galetta. Os dados foram apresentados hoje aos analistas de mercado, na sede da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), em São Paulo.
Galetta explicou que já existem outros dois municípios da região metropolitana de São Paulo interessados em repassar à Sabesp os seus serviços de saneamento. Atualmente, são cinco que estão inadimplentes com a companhia: São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá e Guarulhos. Esses municípios acumulam dívidas de R$ 530 milhões com a empresa.
A Sabesp contratou a empresa de consultoria Price Waterhouse para fazer os balanços dos últimos três anos em USGAAP, método contábil norte-americano. Esses trabalhos, segundo Galetta, deverão estar concluídos até março de 2000. Isso porque, a companhia deverá fazer inscrição junto à SEC (Comissão de Valores Mobiliários Americana) para, a partir do segundo semestre do ano que vem, ter ações negociadas na Bolsa de Nova York. "Não sabemos ainda se vamos negociar ADRs tipo 2, ou 3", afirmou o executivo.
Segundo ele, ainda não foi definido o número de ações que será colocado no mercado americano, mas a idéia é aumentar a participação dos investidores dos atuais 11% para até 20%. "Isso aumentaria a liquidez das ações e diminuiria as oscilações de preço", explicou.
Nos próximos cinco anos a Sabesp tem um investimento programado de R$ 2 bilhões. Esse valor, disse Galetta, seria aplicado para acompanhar o crescimento vegetativo dos sistemas da empresa de água e esgoto. Até 2004, a Sabesp planeja aumentar a coleta de esgoto de 81% para 90% da população, e aumentar de 60% para até 75% o nível de tratamento desses esgotos.
Grande parte desses investimentos virá da geração de caixa, mas a empresa tem ainda R$ 200 milhões do Banco Interamericano para o projeto Tietê 2, e outros R$ 350 milhões do governo japonês, para o tratamento de esgotos no litoral paulista. São dívidas de 25 anos para pagamento.
A Sabesp registrou uma receita de R$ 2,4 bilhões até setembro desse ano e, segundo Galetta, deve fechar 99 com um faturamento de R$ 3,2 bilhões, resultado praticamente estável em relação a 98. Em função do prejuízo de R$ 633 milhões no primeiro trimestre do ano, em consequência da liberação do câmbio, a empresa deverá encerrar 99 com resultado negativo, pois no segundo e terceiro trimestres registrou lucros de R$ 75 milhões e R$ 137 milhões, insuficientes para zerar o déficit.
Mas Galetta disse que a partir do ano 2000 a empresa vai gerar lucro e terá ainda a seu favor o fato de abater 30% de Imposto de Renda sobre o seu lucro, por causa de prejuízos fiscais de anos anteriores. "Isso tornará a Sabesp mais rentável, pois terá lucro e pagará menos imposto."


