São Paulo, 26 (AE) - O acordo para o regime automotivo do Mercosul não deve sair nas rodadas de representantes do governo, previstas para acontecer no Uruguai nos próximos dias. A previsão é do vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Célio Batalha. A indústria automobilística brasileira está sugerindo que o atual acordo seja prorrogado por mais três meses para dar tempo aos argentinos, que passam pelo processo de posse do novo presidente.
"Alguma coisa pode ser fechada este ano, mas não deve acontecer nessas reuniões do Uruguai", disse Batalha. "Essas questões não são de fácil solução", disse, referindo-se ao impasse que surgiu entre Brasil e Argentina, os principais parceiros, em razão, principalmente, das alíquotas de importação de autopeças. Batalha lembra que a Organização Mundial do Comércio (OMC) não permite a prorrogação de regimes. Por isso, o setor estuda uma espécie de ponte para o período de transição. Se não der certo, a isenção tarifária entre os países do bloco terminará no dia 31 de dezembro.
O impasse que cerca as discussões do regime automotivo está totalmente concentrada na questão dos componentes. Os fabricantes de veículos do Brasil e da Argentina fecharam consenso em relação ao Imposto de Importação para veículos vindos de países fora do bloco: 35%. Mas não houve acordo em relação às autopeças.
Hoje o Brasil recolhe, para peças vindas de países fora do bloco, imposto entre 10,5% e 11%. O bloco passaria, pela proposta, a recolher entre 14% e 18% - dependendo das características do componente. Mas na Argentina, o II é de 4%. Os fabricantes do país vizinho prevêem que uma abrupta elevação possa encarecer a produção repentinamente. Os brasileiros concordam em fazer uma elevação gradual, durante três anos.
Outro problema refere-se ao conteúdo local. O regime previa que todos os veículos produzidos em qualquer país do Mercosul devem conter o mínimo de 60% de seu valor de componentes comprados localmente. Os brasileiros entendiam por "conteúdo local" as peças feitas em qualquer um dos países do bloco. Mas os argentinos querem fixar, dentro deste percentual, uma quantidade mínima de componentes feitos na própria Argentina. Os representantes da indústria brasileiras garantem que já concordaram com esta exigência.
Se não houver acordo, a indústria automobilística enfrentará problemas porque praticamente todas as marcas têm fábricas nos dois países e o Brasil compra diversos modelos feitos na Argentina, como o próprio Gol, o Escort, o Palio, a picape Hilux e o jipe Cherokee

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