São Paulo, 26 (AE) - Com a instalação do telefone de número 8 milhões anunciada hoje, a Telefônica ainda fica com uma lista de espera de cerca de 3,8 milhões de pessoas no Estado. A expectativa do vice-presidente de Negócios, Stael Prata Silva Filho, é que haja uma desistência não superior a 15%. No ano 2000, a Telefônica pretende instalar 2 milhões de linhas e outro milhão no primeiro semestre de 2001. Assim, a partir do segundo semestre de 2001, a empresa espera atender aos pedidos de linha telefônica em apenas um mês.
Desde que assumiu a Telesp, em agosto de 1998, a Telefônica instalou 2,2 milhões de linhas. Até o final deste ano
a empresa espera ter 8,2 milhões de linhas instaladas. A previsão era de que em todo o Brasil houvesse 25,1 milhões de telefones, mas já há 26,6 milhões, segundo o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro, que visitou a Telefônica.
A maior expansão da Telefônica se deu nas cidades com menos de 200 mil habitantes (34,2%), depois nas intermediárias (entre 200 mil e 500 mil habitantes, com 33,5%) e, finalmente, nas com mais de 500 mil (21,9%). A região de São José do Rio Preto teve o maior crescimento (29%), seguida de Bauru e Santos (26%) e Campinas (25%). A média de expansão das linhas no Estado foi de 22%.
Segundo o presidente da Anatel, o usuário de São Paulo está tendo um serviço de qualidade, o que foi exigido neste primeiro ano de operações pós-privatização. Numa avaliação das condições gerais da telefonia fixa no Brasil, Guerreiro disse que "as empresas estão tendendo para o cumprimento das metas".
Já a CTBC (Borda do Campo), a Telepará e a Telamazon poderão sofrer alguma sanção no fim do ano por descumprimento das metas de qualidade do serviço, informou o conselheiro da Anatel, Luiz Tito Cerasoli. O maior problema verifica-se na taxa de completamento das chamadas, no período noturno. Nesse primeiro momento, a sanção poderá ser uma advertência.
Na telefonia celular, a avaliação é que a qualidade é "sofrível". Segundo Guerreiro, nos últimos 12 meses a rede celular mais que duplicou, o que desestabiliza o serviço. "Houve um aumento muito grande do celular, uma redução efetiva das tarifas, mas a qualidade não atingiu o esperado" disse.
Temendo o grande tráfego telefônico na virada do ano, em especial no celular, o presidente da Anatel informou que já deu "uma orientação firme" para que as operadoras superdimensionem as suas redes, prevenindo falha no sistema por congestionamento. "Sabemos que haverá mais tráfego" afirmou Guerreiro.
Ele descarta, no entanto, problemas decorrentes do bug do milênio, uma falha de leitura no sistemas de computador. Mas admite que, especialmente na telefonia celular - que é mais suscetível ao aumento de tráfego - será preciso incrementar a capacidade da rede.
A Anatel pediu a instalação de estações rádio-base (ERBs) móveis em particular nas áreas litorâneas, que receberão maior população para a comemoração do reveillon. "As empresas terão de fazer isso, mesmo que tenham que desmontar 90% das ERBs no dia 2 de janeiro", declarou.
A Telefônica vai anunciar, nos próximos dias, uma campanha de ofertas nas chamadas realizadas horas antes da virada do ano. "É esperado um volume maior de tráfego", disse o vice-presidente de Negócios. "Vamos criar situações de oferta para diluir o tráfego ao longo das horas e minimizar o pico da meia-noite."
Sobre a reestruturação da Telefônica, a Anatel vai pronunciar-se antes de terça-feira (30), para quando está marcada uma nova assembléia geral extraordinária (AGE). Mas Guerreiro antecipou que as considerações do órgão regulador vão se limitar aos aspectos da legislação de telecomunicações. "A Anatel vai dizer se a incorporação tem transferência de concessão assimilável pela legislação", afirmou. Ele disse que cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avaliar a reestruturação sob o ponto de vista da Lei das Sociedades Anônimas. E admitiu, no entanto, que possa haver posições diferentes das duas entidades. Guerreiro informou ainda que os esclarecimentos adicionais solicitados à Telefônica foram encaminhados ontem (24) à Anatel e estão sob análise técnica.
Sobre a representação encaminhada pelo Partido dos Trabalhadores à Procuradoria Geral da República, questionando a Anatel e a Telefônica a respeito do desconto do ágio da compra da Telesp no imposto de renda devido, Guerreiro disse que cabe à CVM e à Receita Federal cuidar do assunto. "Nada tem a ver com a Anatel", afirmou.

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