Rio, 26 (AE) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, admitiu hoje que o aumento dos preços dos produtos negociados no mercado externo vai influenciar o reajuste das tarifas no início do ano que vem. Este efeito, no entanto, deve se enfraquecer no futuro, segundo afirmou Amadeo, no XIX Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex).
O secretário explicou que os aumentos destes produtos pressionaram a inflação no atacado e causaram a alta do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM), usado para reajustar tarifas públicas. "Todos os primeiros reajustes para cada concessionária terão influência maior do período pós-desvalorização", afirmou Amadeo. Ele analisa, porém, que pelo fato de a economia não ser mais totalmente indexada, a tendência é de que este efeito tenda a "arrefecer".
A reação da balança comercial e a volta ao Brasil de investimentos financeiros que, no final do ano, estão nos principais mercados mundiais, podem provocar uma recuperação no valor do real e até uma deflação, segundo Amadeo. Ele afirmou que o dinheiro de aplicações no mercado financeiro brasileiro, que foi transferido para os mercados mais fortes, foi remetido por medo dos investidores quanto a problemas que poderiam ocorrer no País com o bug do ano 2000. "Passado o Ano Novo, ficar sentado nessa liquidez custa caro", declarou Amadeo, para justificar sua crença na volta desses recursos.
O secretário disse que não vê motivos para a volta da inflação, com o retorno do crescimento econômico. Ele lembrou que a indústria está com uma capacidade ociosa muito grande, a economia não cresce há dois anos e a taxa de desemprego ainda está muito alta - razões para que o fenômeno não aconteça. "Entre doze e 24 meses, não vejo mais razão para pressão de demanda que pudesse causar inflação", afirmou. Ele disse que os preços dos serviços que costumam subir quando há pressão de demanda aumentaram apenas 2% este ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP).
Amadeo previu que, no ano 2000, a inflação deva ficar pouco acima da meta de 6% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estabelecida pelo Banco Central. Mesmo assim, ele afirmou que a inflação no atacado deve baixar e ficar em níveis iguais ao da alta do custo de vida para o consumidor. Outro fator lembrado pelo secretário para reprimir o crescimento da inflação é a entrada de uma nova safra no segundo trimestre do ano que vem.
O secretário disse que o governo não estuda, nesse momento, um novo reajuste no preço dos combustíveis. Para ele, o preço do petróleo no mercado internacional já valorizou-se muito e a tendência agora é de queda. Amadeo reconheceu que este ano o governo procurou reduzir os efeitos do aumento do preço do produto e da desvalorização nas tarifas dos combustíveis, mas essa política pode trazer efeitos indesejáveis.

mockup