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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 26 (AE) - A taxa de desemprego de outubro ficou em 7,5%, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e deve chegar ao fim do ano com um índice próximo ao de 98. No ano passado, os desempregados representaram 7,6% da população economicamente ativa do País, o maior índice até então. Até agora, a perspectiva de um Natal melhor do que o de 98, que foi muito ruim, ainda não se traduziu em redução da taxa.
O levantamento de outubro trouxe um bom indício: o nível de ocupação aumentou 0,4%, com a criação de 63 mil novas vagas, a maior parte delas na construção civil e no comércio, já que na indústria o número de trabalhadores continua em queda. O resultado positivo, porém, se diluiu devido ao aumento do número de pessoas à procura de emprego, o que é comum nesta época do ano quando, normalmente os setores de comércio e serviços abrem vagas temporárias. "A taxa de desemprego se mantém num patamar constante e alto", afirma Shyrlene Ramos de Souza, gerente da Divisão de pesquisa Mensal.
Enquanto a população desempregada aumenta, o rendimento dos ocupados diminui. De janeiro a setembro, os salários encolheram 4,65% em relação ao mesmo período de 98. A perda de poder aquisitivo foi maior entre os trabalhadores autônomos, que tiveram seus rendimentos reduzidos em quase 7%. Os trabalhadores com carteira assinada receberam proporcionalmente menos 3,3% e os sem carteira mantiveram seus vencimentos.
Para Shyrlene, o alto nível de desemprego deve continuar mantendo o achatamento salarial. "Os trabalhadores estão com pouco poder de barganha", diz ela. "Desde janeiro os rendimentos vem caindo continuamente". Ela resume em uma frase sua análise sobre emprego e salário: "A situação não é boa." O desemprego no Brasil acumula, de janeiro a outubro, a taxa de 7 7%, praticamente a mesma do mesmo período de 98 (7,8%), ano que surpreendeu os analistas com taxas recorde de desocupação. O índice de outubro, divulgado hoje, é 0,1 ponto percentual acima do de setembro e igual ao de outubro do ano passado. Ou seja, a situação permanece inalterada: o batalhão de desempregados está hoje em torno de 1,4 milhão de pessoas.
Este número corresponde à comparação entre a população economicamente ativa com o total de ocupados. Se fossem consideradas todas as pessoas em idade ativa, cerca de 31,2 milhões, o total de desocupados cresce para mais de 14,5 milhões. Mas, o IBGE só considera, nesta avaliação, as pessoas efetivamente à procura de emprego.
Uma característica chamou a atenção na ocupação das novas vagas, criadas em outubro: a maior parte delas foi ocupada por pessoas com idade acima de 40 anos. "Isto vem confirmar a tese de que os jovens estão encontrando hoje mais dificuldades em ingressar no mercado de trabalho", concluiu Shyrlene. A pesquisa de emprego é feita nas regiões metropolitanas de Recife
Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Esta última é a única que vem apresentando alguma reação ao desemprego, indicando uma retomada de atividade de setores que foram muito castigados pela concorrência internacional, como o calçadista. Os três principais centros de oferta de mão-de-obra estão em queda: São Paulo, registrou em outubro -1 8%, Belo Horizonte, -4% e Rio de Janeiro, 13%.
"O mercado não está absorvendo a mão-de-obra", diz Shyrlene. "Ate mesmo os setores de comércio e serviços, que sempre apresentam variação positiva, estão num quadro de estagnação."


