Rio, 26 (AE) - A meta de 8% de inflação ao consumidor para este ano está descartado pelo governo. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Sérgio Werlang, já trabalha com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulando uma alta entre 8,6% e 8,7%. O número supera a estimativa inicial do governo, mas não foge do intervalo de flutuação permitido pelo sistema de metas. "Paciência, tivemos muitos choques de oferta localizados", desabafou Werlang.
O diretor argumentou que a alta da inflação nos últimos meses é passageira e não foi causada por pressões de demanda. "Estamos vivendo o terceiro choque do petróleo", disse. "Esse preço já subiu mais de 40% e pressionou uma série de produtos derivados." O diretor apontou ainda como complicadores as tarifas públicas e os problemas climáticos, que atrasaram o plantio da safra agrícola e aumentaram os estragos provocados pela entressafra.
Segundo ele, houve também pressões localizadas, como o caso dos automóveis, que subiram cerca de 12% após o fim do acordo automotivo. A alta, porém, não deve se repetir nos próximos meses porque o consumo mostrou uma retração, com queda de 27,6% em outubro. "Nada disso indica pressão persistente sobre a inflação, nem que no futuro teremos índices maiores", avaliou.
O executivo revelou ainda que o Banco Central está concluindo os trabalhos para a montagem de indicadores antecedentes de inflação, capazes de apontar com antecedência de um a 12 meses o comportamento dos preços ao consumidor. A intenção é criar de dois a três indicadores que possam prever o comportamento da inflação no curto, médio e longo prazos. O governo já identificou 20 variáveis macro-econômicas, entre elas a base monetária e a produção de automóveis, que serão usados na formação dos indicadores antecedentes do governo.
Estudo - O governo concluirá até o final deste ano um estudo que mostra que o ritmo de crescimento da economia não é o indicador que mais estimula o repasse aos preços de uma desvalorização cambial. O estudo está sendo elaborado em conjunto com o professor da PUC, Ilan Goldfajn, e toma como base o comportamento da economia de 71 países que desvalorizaram suas taxas de câmbio entre janeiro de 1980 e dezembro de 1998. "O estudo mostra que a atividade econômica não influencia tanto o repasse da desvalorização", disse o diretor do BC. A intenção do governo é identificar quais as variáveis que mais estimulam o setor produtivo a repassar os aumentos de custos provocados pela desvalorização aos preços ao consumidor. As conclusões preliminares mostram que os reajustes foram menores em países que tinham taxas de câmbio mais sobrevalorizadas e inflações mais baixas. "Quanto mais valorizada a taxa, menor é o repasse", explicou.

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