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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas e Gustavo Alves 
Rio, 26 (AE) - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, afirmou que não há razão para "muito otimismo" na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle (EUA), na semana que vem, porque "as preparações em Genebra falharam completamente". Segundo ele, os participantes estão em "total desacordo até agora".
Lampreia, que participou do XIX Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex), no Rio, afirmou que tudo terá de ser negociado "do zero", por causa dos impasses. Ele também amenizou as declarações que o ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, fez ontem, de que o Brasil poderia boicotar a reunião se a questão das barreiras agrícolas não entrasse na pauta.
"Pratini de Moraes não falou em boicotar no sentido de não comparecer, ele quis dizer que é fundamental que a agricultura seja prioridade", afirmou Lampreia. "Nós não podemos boicotar uma coisa dessas". Hoje Pratini de Moraes disse que estava preocupado com a reunião porque nem a agenda de discussão estava pronta.
O ministro das Relações Exteriores elogiou a atitude do governo argentino em relação às importações de frango brasileiro. A Secretaria de Indústria e Comércio da Argentina apelou contra a decisão de um juiz de Entre Ríos, que havia determinado limitações para as importações de frango procedentes do Brasil. "Não pode haver desrespeito a compromissos internacionais através de decisões de instâncias que não são competentes", declarou Lampreia.
A Justiça argentina liberou a passagem de 25 caminhões que estavam aguardando na fronteira. Mas segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, até o início da tarde de hoje ainda havia caminhões retidos em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Pratini de Moraes disse ao presidente do Conselho de Administração da Sadia e presidente da Abef, Luiz Fernando Furlan, que, se o problema do frango não for resolvido, o governo brasileiro pode bloquear produtos argentinos.


