PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves e Maria Fernanda Delmas 
Rio, 26 (AE) - Em um discurso bastante otimista, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, estimou hoje que o Brasil tem condições para crescer 6% ao ano, em médio prazo. Essa taxa de crescimento pode ser mantida "por um bom tempo", completou Fraga, durante o XIX Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex), no Rio.
Fraga explicou como seria composto esse crescimento anual de 6%: 1% ou até menos de crescimento populacional, aumento de 2% a 2,5% na poupança interna mais um aumento da produtividade. Segundo o presidente do BC, os países que estão na primeira fila - os Estados Unidos, mais especificamente - mantêm um crescimento de 3% a 4% por ano, beneficiados pelo desenvolvimento da tecnologia da informação, "uma revolução que deve durar ainda uma ou duas décadas". Pela lógica de Fraga, quem está atrás na fila teria mais espaço ainda para crescer.
Para o presidente do BC, o País se prepara para "atrelar seu vagão ao trem do crescimento". Em seu discurso, Fraga deu a entender que os principais problemas vividos pelo País recentemente estão praticamente resolvidos. "Tínhamos um problema fiscal, hoje não temos mais". O mesmo valeria para os problemas cambiais e monetários.
Fraga fez questão de reiterar que o governo é inteiramente a favor da reforma tributária. "Dizer que o governo não quer a reforma tributária é uma mentira, um disparate", afirmou, em uma clara resposta às declarações do deputado e ex-ministro Delfim Netto (PPB-SP). Na véspera, no mesmo evento, Delfim havia dito que o governo discutiu a proposta de reforma apresentada pelo deputado Mussa Demes (PFL-PI) por "medo" de perder receitas. O deputado classificou de "ridícula" a discussão.
"O País não pode esperar pela reforma tributária", disse Fraga. "A reforma tem de ser boa, administrável e implantável". Ele explicou que a atitude do governo atualmente é de "refinar os aspectos mais práticos da reforma". Fraga lembrou que os outros objetivos prioritários do governo são a reforma do sistema financeiro - citou especialmente o projeto de redução do spread bancário aos tomadores finais - e a educação.
Fraga disse ainda que tinha medo de que as atenções se voltassem exclusivamente para a solução das questões macroeconômicas. "Mas tenho convicção de que é possível e necessário dedicar mais tempo às questões microeconômicas".


