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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 26 (AE) - O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, afirmou hoje que o projeto de reformulação do sistema de proteção social ao trabalhador - que inclui mudanças no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e no seguro-desemprego - só deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional no fim do ano que vem.
"Precisamos de pelo menos mais um ano para discutir a proposta que, por enquanto, é apenas um estudo técnico, e avaliar as possibilidades", declarou o ministro. "Ninguém sabe ainda nem mesmo se esse projeto será aceito pelo governo, tudo será examinado." Dornelles disse que pretende discutir a proposta, elaborada por economistas e entregue ontem ao ministro
com os dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical. Os sindicalistas, no entanto, já se declararam contra a possibilidade de negociar as mudanças e informaram à união das centrais para evitar que o projeto seja enviado ao Congresso.
"Aqui no Brasil as pessoas não estão habituadas a discutir e se posicionam contra ou a favor antes de conhecer as propostas", afirmou o ministro. "Todos serão chamados para o debate, do índio ao cardeal." Dornelles ressaltou que o governo vai avaliar as possibilidades administrativas, políticas e financeiras do projeto.
O estudo, que prevê o fim do abono salarial e a fusão do FGTS com o seguro-desemprego, foi encomendado pelo governo há cinco meses e preparado por economistas da Universidade de São Paulo (USP), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).
Dornelles esteve no Rio para conhecer um projeto da Força Sindical de treinamento de trabalhadores em Escolas de Samba. Ele visitou as quadras do Salgueiro, da Imperatriz Leopoldinense e da Vila Isabel, na zona norte da cidade. "São cursos de qualificação para dar uma habilidade às pessoas que trabalham nos quatro meses de preparação do carnaval e, depois, ficavam sem uma atividade fixa", disse o ministro.


