São Paulo, 26 (AE) - A reunião que começará na segunda feira em Seatle, Estados Unidos, com a presença de representantes de países que formam a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a observadora China, é uma das mais importantes para o País. O Brasil tem no agronegócio 32% do seu PIB, cerca de US$ 250 bilhões anuais, ou ainda 38% da pauta de exportações (US$ 20 bilhões) e emprega mais de 40% da população economicamente ativa, anunciou o especialista do agribusiness, professor da USP, Marcos Sawaya Jank.
Ele entende que o País deve buscar uma negociação no setor agricola, para poder ampliar sua geração de divisas. Além disto, salientou Jank, "é bom recordar que o Brasil está carregando um preocupante desequilíbrio no balanço de pagamentos
em função de um déficit em transações correntes da ordem de US$ 25 bilhões em 99, ou seja 4,1% do PIB". Segundo ele, para reverter o quadro, certamente será necessário exportar mais.
Países e grupos - O professor Marcos Jank dividiu os principais países e grupos de pressão que atuarão em Seatle da seguinte maneira: A - Grupo Protecionista: países que defendem a manutenção explícita ou implícita de vários tipos de políticas protecionistas.
- União Européia - 15 países que respondem por 38% do comércio agrícola mundial. Vale lembrar que a União Européia adquire cerca de 45% das exportações agroindustriais brasileiras. - Associação Européia de Livre Comércio formada pela Noruega, Suíça, Islândia e Liechstentein. - Alguns países industrializados do Sudeste Asiático, como o Japão, Coréia e outros. B- Grupo de Tendência Protecionista: formado pelos países do Leste Europeu, hoje 10 países da Europa Central e Oriental, candidatos a uma futura integração com a União Européia. C - Grupo Liberal: Países que defendem a eliminação (0u sensível redução) de todos os subsídios às exportações e internos, além da forte ampliação no acesso aos mercados. Este agrupamento é formado basicamente pelo Grupo de Cairns, 15 países basicamente oriundos da América do Sul, Oceânia e ásia, 14 países que estão no hemisfério Sul, que se autodenominam de exportadores leais e respondem por 25% do comércio agricola mundial. D- Grupo de Discurso Liberal: Aí estão incluidos basicamente os Estados Unidos, país que representa 11% do comércio mundial dos agronegócios, de tradicional discurso e vocação para o livre comércio, porém se utilizando de toda sorte de práticas protecionistas. O comportamento deste país pode ser definido pela famosa expressão "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". E- Grupo de Apoio ao Protecionismo: formado pelos países mais pobres do mundo, onde as burocracias estatais sobrevivem às custas das benesses geradas pelos subsídios à exportação, créditos governamentais de longo prazo, programas de ajuda alimentar e facilidades de acesso a mercados. São países que participam de acordos preferenciais como o Sistema Geral de Preferências e outros. A União Européia e os Estados Unidos são especialistas em liberar farto programas de distribuição de excedentes alimentares para os países mais pobres do mundo, sob o nobre argumento de combate à fome e à miséria. F - Grupo das Baleias - Formado pela Rússia, China, Ucrânia e India. Países que buscam um espaço no comércio internacional de alimentos. A China ainda é uma observadora e não faz parte da OMC, assim como a Rússia e a Ucrânia. A Índia já faz parte da OMC.

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