São Paulo, 26 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega disse que "por hora a reforma tributária está morta" e
provavelmente, o novo modelo só entrará em vigor em 2003. Segundo ele, o governo cometeu um equívoco ao achar que o Congresso poderia resolver a questão tributária e agora o executivo terá que "ressuscitar" a reforma. Nas suas projeções
a aprovação da reforma deverá ocorrer em 2000 e entre o ano que vem e 2001 seriam criados os novos tributos -por meio de lei complementar- e realizado o processo de adaptação ao novo modelo. Maílson da Nóbrega fez essas considerações em seminário ocorrido hoje em São Paulo, durante o IV Fórum e II Salão da Indústria de Aluguel de Automóveis.
De acordo com o economista, o processo só poderia ser acelerado se fosse dada uma solução "água com açúcar" para o tema. Essa solução, segundo ele, seria possível se a proposta incluísse apenas os princípios "genéricos" da tributação, como a adoção do IVA e a origem da cobrança do imposto, e transferido os detalhes para a lei complementar. O que ele considera "detalhes" são, por exemplo, a forma como o imposto será cobrado no destino, como os Estados vão atrair investimentos, como evitar a acumulação de créditos e quais as alíquotas e valores que serão cobrados.
Segundo o ex-ministro, se essa opção for considerada o Congresso poderia antecipar a aprovação da reforma para 2000 e o novo modelo entraria em vigor em 2002. Mailson da Nóbrega ressaltou, no entanto, que qualquer hipótese só será viável se o presidente Fernando Henrique Cardoso liderar pessoalmente esse processo. "O presidente tem que se reunir com os governadores e o ministro Pedro Malan com os secretários da Fazenda para encontrar uma solução. Caso contrário, o processo será concluído só em 2005", previu.

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