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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 25 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, disse hoje que o adiamento da votação da reforma tributária, como pretendem alguns membros do governo e do Congresso, poderá restringir os benefícios da mudança. "Será uma reforma para poucos", disse Piva, com a argumentação de que um número reduzido de empresas sobreviverá à atual estrutura tributária. "A atual estrutura anula a eficiência das empresas", afirmou o presidente da Fiesp. "Sem competitividade, muitas empresas não têm meios para enfrentar a concorrência, o que poderá ameaçar sua sobrevivência."
Piva diz que a aprovação da projeto de Mussa Demes (PFL-PI) serviu para revelar a intenção do governo de protelar a aprovação da emenda da reforma tributária. "O governo não tinha interesse nessa reforma e nem acreditava na sua aprovação pela comissão especial da Câmara." Para o presidente da Fiesp, o executivo mobilizou-se só depois de a emenda ser aprovada e, ainda assim, não mostrou disposição para negociar. "Sob pressão e só na última hora, representantes do governo resolveram manifestar-se, mas sem nenhum interesse em melhorar o projeto."
Atitude destrutiva - "O governo entrou nesse debate para enterrar a reforma tributária", afirmou Piva, que viu nas declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso e seus auxiliares uma atitude destrutiva. Mas ele não está certo de que a proposta do deputado Mussa Demes seja a melhor. "Talvez a versão do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, seja mais simples e exequível." O presidente da Fiesp não acredita, porém, que a versão oficial de proposta de reforma tributária possa ser aprovada. "Isso, no entanto, não autoriza o governo a desqualificar a proposta aprovada na Câmara."
A atitude do governo federal, segundo ele, estimula atos isolados. Cabe agora ao governo do Estado entrar na guerra fiscal, disse Piva, que, no entanto, não está certo quanto ao desfecho desse processo. "Se por acaso São Paulo entrar na guerra fiscal, não haverá mais guerra fiscal", diz, confiando no poder econômico do Estado, que seria imbatível na competição. Em sua avaliação, a infra-estrutura local anularia qualquer tentativa de outras regiões de atrair empresas para seus territórios.


