PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Cláudio Barros 
Teresina, 25 (AE) - O procurador da República Tranvanvan Feitosa anunciou hoje que vai processar todos os prefeitos envolvidos com o crime organizado no Piauí. A abertura de inquéritos já deve ser iniciada na próxima semana. Nem o procurador nem a Polícia Federal sabem ainda quantas são as prefeituras envolvidas nas falcatruas com recursos públicos. Estima-se que 100 dos 221 prefeitos do Piauí tenham usado notas para justificar gastos não realizados ou desvio de recursos para outros fins, como o pagamento de agiotas e financiadores de campanhas eleitorais. Feitosa disse que gostaria de ver cassados todos os prefeitos que desviaram verbas públicas.
Os prefeitos usavam notas fiscais frias para justificar despesas não realizadas com recursos de programas federais de educação (Fundef) e saúde (SUS). As notas eram fornecidas pelo coronel José Viriato Correia Lima e pelo delegado José Wilson Torres, ambos presos por serem os chefes do crime organizado no Piauí.
O Ministério Público Estadual também vai processar os prefeitos. A subprocuradora-geral de Justiça, Rosimar Leite, explica que o desvio de verbas do Fundo de Participação dos Município (FPM) será apurada pela Polícia do Piauí. Os prefeitos que tiverem desviado dinheiro para suas contas pessoais com uso de notas fiscais falsas vão ser processados pelo Tribunal de Justiça.
O delegado Airton Franco, que apura o uso das notas falsas, tem uma equipe de cinco agentes trabalhando na análise de mais de mil notas. Os documentos foram enviados a ele pelo Tribunal de Contas do Estado. Os policiais estão separando as notas para abrir inquéritos individuais para cada uma das prefeituras. Franco ainda não sabe qual o montante de recursos desviados. "Será necessária uma auditoria ampla por parte dos Tribunais de Contas da União e do Estado. Nossa preocupação primeira é com os inquéritos. Depois caberá ações para que eles devolvam o dinheiro que eventualmente tenham desviado", esclarece.
O coronel Viriato deverá depor na próxima semana na CPI do Narcotráfico em Brasília. Mas os membros da comissão que vieram a Teresina saíram convencidos de que o Piauí não faz parte da rota do tráfico de drogas. Viriato permanece preso no quartel do Comando Geral da PM, onde foi reforçada a vigilância depois da denúncia de que ele tentaria uma fuga.


