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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Kátia Brasil (especial para a AE) 
Manaus, 25 (AE) - A comerciante Maria de Lourdes Pereira França afirmou hoje, em depoimento à Polícia Federal do Amazonas
que pagou R$ 5 mil à funcionária da Tribunal de Justiça do Amazonas, Albaniza Waugham, para liberar o seu marido da cadeia. Acusado de homicídio e sequestro, Pedro França recebeu habeas-corpus em 24 de maio de 1998. Os advogados do caso foram Rômulo Almeida do Nascimento e Maria José Rodrigues de Vasconcelos Menescal. A advogada e o desembargador Daniel Ferreira da Silva estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) de envolvimento com um suposto esquema para liberar narcotraficantes das penitenciárias de Manaus. "O documento foi assinado pelo desembargador Daniel Ferreira da Silva", disse Maria de Lourdes França ao delegado Nivaldo Farias, em depoimento de três horas.
"Existiu o pagamento; ela (Albaniza) disse que o desembargador pediu foi R$ 15 mil, mas demos a ela R$ 5 mil", afirmou Maria de Lourdes. Ela foi a primeira de nove testemunhas que serão ouvidas até segunda-feira sobre o caso dos alvarás a pedido do STJ. O filho do desembargador, o estudante de direito Alexandre Adroaldo da Silva, prestou depoimento logo após Maria, no início da tarde. Ele é suspeito de assinar pelo pai os alvarás de soltura que liberaram os traficantes Altamiro Mitoso Câmara Filho, Charles Roosevelt de Paula Rodrigues, Admilson Reategui Cruz, José Juracy Lucas e Francisco Paulo Messias.
Alexandre, que é funcionário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ao sair da Polícia Federal hoje à tarde, pediu aos repórteres que não lhe fizessem perguntas. Alexandre é irmão da funcionária do Judiciário amazonense, Soraya Lilia Trucinskas, autora de denúncias de vendas de crianças brasileiras pela agência americana Limiar.


