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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Fred Ferreira (especial para a AE) 
São Paulo, 25 (AE) - Ser deputado por um dia. Esta é a experiência que a Assembléia Legislativa de São Paulo está proporcionando a 94 estudantes eleitos para constituir o primeiro Parlamento Jovem Paulista. Durante dois dias - hoje e amanhã (26) - os 94 jovens "deputados" vão apresentar, discutir e votar seus próprios projetos - a maioria relacionada a área de direitos-humanos.
"A possibilidade de realizar coisas interessantes para outras pessoas e melhorar o meio que nós vivemos é o maior incentivo para os jovens", disse o bem articulado "deputado" Leandro da Silva, de 13 anos, que apresentou um projeto para reciclagem de lixo. Em sua escola em Mairiporã, onde acumula as funções de presidente do grêmio e responsável pelo setor de informática, Leandro foi escolhido entre os colegas por sua liderança. "Ele é um líder nato", garantiu seu jovem assessor parlamentar Rivan Schadeck.
Ao chegar à Assembléia, o grupo de novos "deputados" já pôde vivenciar sua primeira experiência política. Cada partido da Assembléia montou uma barraca na área de credenciamento dos estudantes, onde distribuíram brindes, jornais de partido e até mesmo fichas de filiação. Leandro, o primeiro "deputado" a chegar, foi logo bajulado por um assessor do PMDB, que o levou para conhecer o gabinete do partido.
A iniciativa proposta pela Assembléia Legislativa reuniu projetos dos deputados César Callegari (PSB) e Célia Leão (PMDB). Os 94 jovens parlamentares chegam à Assembléia depois de passar por um processo seletivo. Publicado um comunicado no Diário Oficial do Estado, todos os estudantes da 5ª à 8ª série das escolas públicas e particulares puderam se candidatar.
Cada escola foi responsável pela elaboração de um projeto e os jovens parlamentares puderam optar entre "partidos temáticos": o da Agricultura; da Cultura; da Defesa do Consumidor, dos Direitos Humanos; da Educação; do Emprego; dos Esportes; da Habitação; da Juventude; da Natureza; da Saúde; e da Segurança Pública. Cada "´parlamentar" parlamentar teve direito também a um jovem "assessor".
No total, foram apresentados 317 projetos, enviados por escolas de 117 municípios do Interior e 9 da Grande São Paulo. Os projetos passaram por avaliação de uma comissão julgadora da Assembléia, formada por membros da comunidade escolar (professores, alunos, pais e funcionários).
A maior bancada eleita foi a do partido da educação, com 24 "deputados" eleitos, seguido pelo partido dos Direitos Humanos
com 17 cadeiras. Ao contrário do que ocorre no parlamento paulista - onde há apenas três deputadas -, a maioria dos jovens deputados é constituída por meninas.
A experiência do Parlamento Jovem será repetida todos os anos e, de acordo com o presidente da Casa, Vanderlei Macris (PSDB), é "um grande incentivo ao exercício da cidadania". "Esperamos que o exemplo seja seguido em outros estados como maneira de incentivar as crianças a participar da vida pública e colaborar com a sociedade", disse Macris.
Hoje, os "pequenos deputados" puderam conhecer todas as dependências da Assembléia e participar de palestras sobre o regimento interno da Casa. Amanhã (26), eles vão ao plenário ocupar as cadeiras dos deputados e apresentar seus projetos. As 94 crianças subirão à tribuna para defender suas idéias.
"Brincadeirinha" - A jovem Ludmila Mendonça, 15 anos, como qualquer outra criança, sempre gostou de brincar na praça perto de sua casa. Aos 9 anos, entretanto, ela descobriu uma nova e educativa "brincadeira": nos finais de semana, Ludmila monta uma barraquinha na praça e leva brinquedos e livros para serem emprestados às outras crianças. "É a brinquedoteca", diz a menina, tímida e orgulhosa. Resultado; sua "brincadeira" infantil transformou-se em projeto intinerante e hoje leva sua "brinquedoteca" para áreas carentes da cidade. "Não quero ser canditata, sou muito tímida", revelou a menina.
Alguns têm pretensões maiores, como o estudante Gustavo Melo e seu assessor Welisson Martins Assunção, que pretendem, no futuro, candidatar-se ao cargo de vereador. Eles apresentaram projeto exigindo que no preço de um produto esteja especificado o valor do imposto que está sendo pago. "É uma maneira de defender o consumidor", avisou Gustavo.


