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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Flávio Mello e Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 25 (AE) - Uma das supostas vítimas do grupo de extermínio que seria liderado pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, Marcioclei José de Lima, foi apresentado hoje na cidade pelo advogado e pelo irmão de Pascoal, respectivamente Oscar Luchesi e o deputado estadual Cosmoty Pascoal (PPB), e pode colocar sob suspeita todo o testemunho que liga o ex-parlamentar ao esquema de narcotráfico e aos crimes hediondos. Lima é irmão de Irineu José de Lima, ex-funcionário de Pascoal e a principal testemunha de acusação no processo de tráfico de entorpecentes que tramita na Justiça Federal. Ele dissera que o seu irmão fora assassinado pelo seu ex-patrão.
Cosmoty Pascou fez hoje um pronunciamento no plenário da Assembléia Legislativa e, com base na apresentação de Marcioclei
pretende comprovar a tese que já defendia de que a testemunha mentiu e pode ter sido induzida ao falso testemunho. Marcioclei disse hoje ter quatro irmãos, que todos estão vivos e que nenhum outro tem nome parecido.
A intenção da defesa e de Cosmoty é abalar a credibilidade das testemunhas de acusação. Irineu relatou detalhes de vários assassinatos e o esquema de entrega de entorpecentes diretamente a Pascoal.
Entre os assassinatos relatados estão o do mecânico Agílson Santos Firmino, de 25 anos, o Baiano, de seu filho, Wilder, de 13 anos. Wilder foi banhado com ácido quente antes de ser executado com um tiro na cabeça, porque não revelou o paradeiro de seu pai - que estaria com José Hugo, o Mordido, no dia em que matou a tiros o terceiro sargento da PM Itamar Pascoal.
O grupo teria eliminado Baiano, também com requintes de crueldade, Baiano. Segundo Irineu, Baiano foi torturado durante vários dias e pedia apenas para "morrer logo". De acordo com a testemunha, nesse momento Pascoal teria dito: "Serra logo ele". Eles teriam usado uma motoserra, instrumento não confirmado pelos laudos cadavéricos do Instituto Médico Legal (IML) do Acre.
Irineu teria se afastado da cena quando decidiram cortar os testículos da vítima. Ele confirmou que Hildebrando Pascoal recebia drogas na Fazenda Amoty lançadas por aviões e que presenciou um peruano entregando entorpecentes diretamente na fazenda.
O aviso de que poderia ter de fazer trabalhos "estranhos" foi dado a Irineu logo que decidiu pedir emprego a Pascoal. "Você mata gente?", teria perguntado Pascoal a Irineu.
Como a resposta fora negativa, Irineu foi enviado para trabalhar na Fazenda Amoty como vaqueiro. No primeiro dia em que encontrou o ex-deputado na fazenda, recebeu ordem para levar alguns "cabritos" que teriam sido atropelados na estrada e haviam manchado o carro de seu patrão de sangue.
Quando chegou ao local indicado para jogar os "cabritos", viu que havia quatro corpos masculinos na carroceria da caminhonete. A ordem foi cumprida.
O ex-procurador chefe do Ministério Público Federal (MPF) no Acre, Sérgio Monteiro Medeiros, disse hoje, antes de deixar o posto, que, primeiro, as autoridades terão de apurar se a pessoa é realmente quem diz ser. "Mesmo que seja o irmão da testemunha
que supostamente estaria morto, não altera em nada o processo"
afirmou.
O argumento apresentado é que, como as informações fornecidas estão sendo comprovadas e têm lógica, esse fato não desmonta a essência dos testemunhos.
A Polícia Federal (PF) está tentando localizar novas ossadas em um novo cemitério clandestino, apontado por testemunhas. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE, o local seria próximo da rodovida Transacreana. Até a tarde, nenhuma nova ossada havia sido encontrada, segundo os promotores.
No início da noite de hoje, Cosmoty admitiu à Agência Estado que a história do parentesco entre Irineu e Marcioclei estava confusa.
Depois de ler atentamente o depoimento de Irineu, Cosmoty admitiu que a principal testemunha contra Hildebrando Pascoal referiu-se à morte de um irmão chamado Márcio, mas do segundo casamento de seu pai.


