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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 25 (AE) - A suspeita de que as empresas do grupo Monteiro de Barros funcionariam como "laranja" do grupo OK, pertencente ao senador Luiz Estevão (PMDB-DF), foi hoje reforçada no relatório final da CPI do Judiciário. De acordo com o relator Paulo Souto (PFL-BA), diligências efetuadas pela Receita Federal nas empresas do senador revelam "demonstrações inequívocas da singularidade das relações entre as empresas dos dois grupos".
"Qual a necessidade da construtora Ikal (do grupo Monteiro de Barros) tomar empréstimos para repassar à Saenco (do grupo OK), quando esse mesmo empréstimo é garantido pelo Banco OK, empresa do mesmo grupo da Saenco?", questiona Souto no relatório.
O grupo Monteiro de Barros, do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, foi o vencedor da licitação fraudulenta para a construção do fórum trabalhista de São Paulo. O grupo OK ficou em terceiro lugar, com apenas três pontos de diferença, mas não recorreu da decisão. Ainda assim, recebeu US$ 45 milhões de Monteiro de Barros. A maior parte desse montante, US$ 34 milhões
é proveniente de recursos liberados para as obras do fórum.
O episódio citado no relatório sobre a existência de empresas "laranja" teve início no dia 13 de abril, quando a construtora Ikal obteve do banco Barclays e Galícia um empréstimo no valor de R$ 1,9 milhão. No mesmo dia, o banco OK de Investimentos fez uma aplicação nesse banco, no valor idêntico de R$ 1,9 milhão, colocando-o como garantia do empréstimo feito pela Ikal.
O empréstimo, repassado em dois cheques, teve destinos diferentes: um cheque no valor de R$ 734,50 mil, nominal à Ikal, foi depositado no banco Cidade. O outro cheque, no valor de R$ 1 13 milhão, também nominal à Ikal, foi endossado e depositado no Banco de Brasília na conta da Saenco Saneamento e Construções, do grupo OK.
Colarinho branco - As 17 primeiras parcelas de juros foram pagas por empresas do grupo Monteiro de Barros. A 18.ª parcela de juros e parte do principal foram pagos por cheque emitido pelo banco OK. O senador Paulo Souto pediu à Secretaria da Receita Federal que diligencie para esclarecer se essas operações, "que a princípio não demonstram lógica", foram devidamente escrituradas. Outra suspeita levantada por esses dados é que teria ocorrido um crime de colarinho branco. No caso
o banco OK teria atuado nas operações para encobrir que repassou dinheiro para empresas de seu grupo.
A bancada do PMDB no Senado antecipou hoje que concederá licença para o Supremo Tribunal Federal processar Estevão. A autorização prévia, constante da nota divulgada pelo líder Jader Barbalho (PA), foi decidida por 22 senadores que se reuniram com o líder na noite de quarta-feira.


