Rio Branco, 25 (AE) - O empresário Shelton Magalhães, filho do ex-governador do Acre Romildo Magalhães e acusado de ser o assassino do assaltante Hélio da Silva, o Pinguim, estudará a proposta de admitir a culpa e colaborar com as investigações sobre o assassinato em troca da proposta de redução de pena oferecida hoje pelo Ministério Público Estadual. Além desse benefício legal, Shelton também terá a garantia dos procuradores de que responderá ao processo por homicídio em liberdade.
Como pode ser condenado a cumprir até 30 anos de detenção, se concordar em colaborar com o Ministério Público o acusado poderá ser beneficiado com a redução de um a dois terços da pena - além das vantagens legais por ser réu primário da emoção envolvida no caso, que deverá ser alegada pela defesa. O promotor estadual Eliseu Buchemeir explicou a Shelton que ele é acusado de ser o autor de dois disparos contra Pinguim - o segundo é que teria sido o da execução.
O acusado chegou ao Ministério Público às 9h24 de hoje e saiu às 9h56, sem dar nenhuma declaração. O advogado de Shelton, Euclides Bastos, não adiantou se o seu cliente aceitará ou não a proposta do Ministério Público. "Nada a declarar", limitou-se a dizer Bastos. O depoimento foi marcado para segunda-feira.
De acordo com o promotor, ainda há mais dois depoimentos que também o apontam como responsável pela execução. "Dificilmente o acusado conseguirá provar o contrário, portanto oferecemos o benefício legal em troca da confissão e da colaboração na conclusão do inquérito", disse Buchemeir.
O corpo de Pinguim ainda não foi reconhecido oficialmente porque o exame cadavérico não foi concluído pela perícia. O assassinato ocorreu em 1995, depois que a vítima matou o filho mais novo de Magalhães e de assaltar o Haras Cinco Irmãos, que pertence à família. Na época, Romildo Magalhães Filho tinha 16 anos.
Desde aquela época existia uma suspeita velada das autoridades de que Pinguim teria sido assassinado por vingança. Essa suspeita, segundo os promotores, foi confirmada pelas testemunhas ouvidas no inquérito policial e na denúncia que está sendo formulada pelo Ministério Público. A ligação com o crime organizado e o narcotráfico, que segundo os policiais federais e promotores eram liderados pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal - que responde a vários processos criminais e está preso em Brasília - aumentou no início do mês. Testemunhas - Em depoimento à Justiça Federal do Acre, o pistoleiro e uma das principais testemunhas de acusação de Hildebrando, Raimundo Alves Barros, o Raimundinho, indicou o local onde o corpo de Pinguim teria sido enterrado. Em diligência, agentes da PF encontraram duas ossadas no local indicado - o cemitério clandestino no bairro do Calafati, distante cerca de 20 quilômetros do centro da cidade. O exame das ossadas ainda não foi concluído. A dificuldade existe porque nenhum membro da família de Pinguim teria sido localizada até o momento para comparar o DNA.
As testemunhas que acusaram Shelton disseram que o grupo de extermínio ligado a Hildebrando foi à casa do ex-governador avisá-lo de que o assassino de seu filho estava preso. Convidaram-no para fazer a execução, mas Magalhães teria ficado nervorso e declinou do convite. Em seu lugar Shelton teria ido ao local para se vingar.

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