São Paulo, 25 (AE) - O desembargador Djalma Lofrano, 2º vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou hoje ao juiz-corregedor de Campinas Paulo Eduardo Sorci que forneça detalhes das investigações que estariam sendo realizadas sobre o delegado de polícia Ricardo de Lima. Apontado pela CPI do Narcotráfico como envolvido em suposto esquema de corrupção e proteção a traficantes, Lima foi preso na semana passada. Seus advogados, Miguel Orlando Vulcano e Giovanni Locatelli, entraram com habeas-corpus no TJ pedindo revogação da prisão.
A CPI indiciou o delegado por formação de quadrilha, associação para o tráfico de drogas, corrupção, prevaricação e homicídio. Ele foi acusado, perante a comissão, pelo assaltante Gilmar Leite Siqueira - condenado a 19 anos de cadeia. A prisão do delegado tem caráter temporário pelo prazo de 30 dias. A lei que autoriza esse tipo de custódia impõe à autoridade que a solicitou formalmente - no caso, os deputados da CPI - a realização, naquele período, das investigações necessárias para coleta de provas contra o suspeito.
Antes de examinar o habeas-corpus do delegado, o desembargador Lofrano decidiu pedir informações ao juiz-corregedor. Eduardo Sorci decretou a prisão temporária do policial acolhendo requerimento da CPI e parecer favorável assinado por seis promotores de Justiça. O desembargador suspeita que nenhuma investigação estaria sendo promovida porque a CPI "amarrou as malas e foi embora para Brasília" - os deputados partiram no sábado, dois dias depois da captura do policial.
Na segunda-feira, Lofrano concedeu liminar em favor do advogado Arthur Eugênio Mathias que também havia sido preso e enquadrado pela CPI.
O desembargador criticou a CPI. Segundo ele, "falta equilíbrio emocional aos deputados". O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) disse que a decisão deixou "os bandidos rindo à toa". O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), disse que espera que "essa medida não faça sofrer os netos do desembargador; o advogado é bandido". "Não trabalhamos para agradar ou para fazer chorar", retrucou Lofrano. Desde que criticou os métodos empregados pela CPI - interrogatórios duros e quebra de sigilo bancário e fiscal em profusão -, o desembargador tem recebido ligações de apoio, inclusive de deputados federais. Hoje, Lofrano recebeu fax de um deputado do PMDB: "Estamos irmanados no sentido de que não se instale no País um regime de exceção", diz o parlamentar.

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