Belo Horizonte, 25 (AE) - O comando da Articulação, tendência majoritária entre os moderados petistas, desistiu de apresentar no 2º Congresso Nacional do partido a carta de saudação ao encontro preparada pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), para não agravar a crise com o governo do Rio. Em vez do pedido de desculpas por ter chamado o PT de "partido da boquinha", exigido pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador reafirmava no documento que suas críticas eram dirigidas a "um setor" da legenda, o que gerou mal-estar na agremiação.
O secretário do Planejamento, Jorge Bittar, que fora encarregado por Lula de conseguir o pedido de desculpas do governador, recebeu ontem (24) o texto, com a repetição das críticas. Hoje, no Congresso petista, porém, Bittar negou que tivesse a incumbência de obter de Garotinho uma retratação ou que soubesse da existência da saudação do governador. "Estão procurando pêlo em casca de ovo", disse. Ele afirmou "não saber quem foi que inventou" que estaria preparando um pedido de desculpas de Garotinho, o que ele próprio já confirmara anteriormente. Para Bittar, a retratação "não é imprescindível".
O alvo das críticas, desde o início da crise, é o grupo Opção Popular, do presidente do PT fluminense, deputado Carlos Santana. É ele, segundo Garotinho, o "partido da boquinha", supostamente com uma fome por cargos públicos cada vez maior. Em protesto contra os ataques, o 18º Encontro Estadual do PT decidiu entregar a Garotinho os cerca de 200 cargos que ocupa na administração, o que gerou uma crise, já que a Articulação se recusa a deixar os postos que ocupa no Estado.
Confirmação - O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, disse "desconhecer" a reivindicação do pedido de desculpas ou a existência da carta de Garotinho. "Nenhum governador mandou saudação", disse.
Santana, porém,confirmou que a retratação pública de Garotinho foi uma das condições que acertou com o próprio Dirceu
Lula e o secretário-geral do PT, Arlindo Chinaglia, numa reunião em Brasília, na semana passada.
"O acordo que foi feito era de que Lula pediria ao Garotinho pelo Bittar, que redigiria uma carta pedindo desculpas" disse o deputado. "Na segunda-feira passada, numa reunião com a gente no Rio, Lula reafirmou a decisão." Segundo Santana, o presidente de honra do PT lhe disse hoje de manhã que continuaria se esforçando por um acordo. "A carta é o início", disse.
O líder do PT na Câmara, José Genoíno, lamentou que Garotinho não se desculpasse. "Acho muito ruim ele não retirar a frase", disse. "Garotinho devia dizer ao partido que se retrata, a afirmação é um obstáculo." O parlamentar reafirmou que quer apoiar Garotinho e a aliança que o sustenta, mas disse que não aceita a declaração ofensiva ao PT.

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