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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 25 (AE) - O deputado Delfim Netto (PPB-SP) avaliou hoje que o governo teme perder receitas e por isso critica o substitutivo do deputado Mussa Demes (PFL-PI) sobre a reforma tributária. Em discurso durante almoço com empresários que participam do XIX Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex)
Delfim classificou a discussão de "ridícula". Para o parlamentar, a proposta de Mussa Demes é "bastante razoável". Mas disse que ela pode ser aperfeiçoada. "Tem algumas idiossincrasias, como todos nós."
Delfim lembrou que atualmente um terço da produção brasileira é transferida para o governo por meio de tributos. "Nos últimos quatro anos, o aumento de 5% da carga tributária bruta veio de contribuições, que não são distribuídas aos Estados e municípios", afirmou. Para ele, esta é a razão que explica por que o governo entra em "pânico" quando surge alguma proposta de reforma tributária.
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que também esteve no Enaex, afirmou que o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso foi o autor da idéia de criação de um fundo para investimentos nas estradas, proposta no relatório de Demes. "A equipe econômica não bateu neste ponto", afirmou Padilha, para quem o fundo deve ser aprovado, dentro da proposta.
Liquidez - Em seu discurso, Delfim defendeu o aumento dos recursos destinados ao setor produtivo pelo governo. Para o deputado, o objetivo poderia ser conseguido com duas medidas. A primeira seria a redução do recolhimento compulsório dos dinheiro guardado nos bancos pelo Banco Central (BC), para sua aplicação em novos empreendimentos. E a segunda, o uso do Banco do Brasil (BB) como distribuidor de recursos para as empresas.
Delfim criticou a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que haveria aumento dos juros em resposta à inflação crescente. "Na cabeça de quem pode surgir a idéia de que um choque de oferta tem que ser combatido pela alta de juros?", questionou o deputado. Ele argumentou que a declaração provocou instabilidade no setor produtivo da economia.


