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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Fred Ferreira (especial para a AE) 
São Paulo, 25 (AE) - O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Vanderlei Macris (PSDB), afastou hoje a possibilidade de a Casa instalar uma CPI para investigar o crime organizado no Estado. "Eu senti que não há clima", justificou Macris. A oposição acusa o governo de "segurar" a CPI desde março.
O impasse em torno da instalação de uma CPI estadual persiste porque os deputados não chegaram a um acordo sobre a autoria do pedido de CPI. "Você acha que nós vamos dar de bandeja para eles?", perguntou o líder do PSD na Casa, Roberto Engler, referindo-se à proposta de CPI do Crime Organizado, pedida pelo PT. "Eles querem é os holofotes virados para eles." Atualmente, no Legislativo estadual, existem pelo menos três propostas de criação de CPIs no âmbito da Segurança Pública; uma para investigar o crime organizado de um modo geral
proposta em março pelo deputado Elói Pietá (PT); outra para apurar o narcotráfico, solicitada por Campos Machado, líder do PTB na Casa, e outra para o combate específico ao roubo de cargas, proposta na semana passada pelo tucano Carlos Sampaio (que é da região de Campinas).
A oposição na Casa está acusando a bancada governista de "segurar" a instalação de uma CPI. "Eles estão com medo de aonde as investigações da CPI podem chegar", acusou Pietá. "A tática do governo é propor outras CPIs". O líder do governo, Walter Feldman, entretanto, acredita que a CPI deve sair em breve. "A CPI do Crime organizado é muito genérica, mas acho que vamos chegar a um acordo em breve", disse Feldman, que aposta na CPI do Narcotráfico. Formalmente, a decisão para instalar uma CPI só será tomada na próxima reunião do colégio de líderes, na terça-feira.
Campos Machado recebeu hoje telefonema de Anderson Adauto (PMDB), presidente do Legislativo mineiro- que instalou CPI semelhante no Estado-, sugerindo que ambas as comissões (de SP e MG) trabalhassem em conjunto. O líder do PPB, que é autor da proposta de CPI do Narcotráfico, também marcou para semana que vem encontro com o presidente da CPI em Brasília, Magno Malta (PTB), para agendar um programa de cooperação entre os trabalhos da comissão e das CPI do Narcotráfico em outros estados, como Minas Gerais e Espírito Santo.
Se não houver entendimento, vamos levar o assunto para voto em plenário", ameaçaram os deputados Walter Feldman e Elói Pietá.


