Belém, 25 (AE) - A Polícia Federal do Pará pediu hoje à direção do Incra em Marabá o extrato de todos os repasses de verbas feitos pelo órgão às prefeituras do sul do Estado que celebraram convênios com cerca de 17 empresas suspeitas de serem ramificações do narcotráfico de drogas na região. Essas empresas
de propriedade do fazendeiro goiano Leonardo Mendonça e do empresário de Marabá Wilson Torres Moreira, além de outros comerciantes que seriam "testas de ferro" da dupla, construíram estradas, escolas, postos de saúde e poços artesianos em assentamentos da reforma agrária nos municípios de Marabá, Tucumã, São Félix do Xingu, Novo Repartimento e Tucuruí.
O superintendente adjunto do Incra em Marabá, Ruberval Gomes, informou que está fazendo um levantamento das obras entregues nos últimos meses por todas as empresas contratadas pelas prefeituras. "A prestação de contas não é da alçada do Incra, mas das prefeituras. O que fazemos é receber as obras e repassar o dinheiro após constatar que elas foram realizadas obedecendo aos prazos previstos em lei."
Gomes disse que o Incra não tem qualquer ingerência no processo de licitação das obras. "A responsabilidade também é das prefeituras." As investigações da PF, segundo o superintendente Geraldo Araújo
agora estarão centralizadas sobre a relação de alguns prefeitos com o grupo de empresas lideradas por Mendonça e Torres. Já existem fortes indícios de que algumas empresas foram contratadas três meses depois de terem sido constituídas e registradas na Junta Comercial do Pará. Uma delas, a Construtura Roma, construiu pontes e estradas para as prefeituras de Tucuruí e Novo Repartimento embora fosse praticamente desconhecida na região.
Os advogados de Mendonça e Torres não quiseram falar com a imprensa hoje. Eles alegaram que estavam embarcando para Marabá, onde iriam levantar os contratos firmados pelas empresas de seus clientes com órgãos públicos e privados para provar que essas firmas estão atuando "dentro da lei". Mendonça e Torres, segundo a PF, possuem estreitas ligações com o grupo de o ex-ditador do Suriname, Desi Bouterse.
O Suriname seria uma das portas de passagem para os Estados Unidos e Europa da cocaína colombiana desembarcada no Pará através de aeroportos clandestinos localizados em quatro fazendas de propriedade do grupo no sul do Estado.

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