Foz do Iguaçu, PR, 25 (AE) - Diversas casas de câmbio que atuam sem registro na região da fronteira com o Paraguai e Argentina fecharam as portas hoje temendo o cerco da fiscalização que vem sendo feita pela Polícia Federal, a pedido do Banco Central e Ministério Público Federal. As investigações confirmaram o envolvimento de várias agências de câmbio e turismo da região em esquemas de "lavagem de dinheiro" (remessa ilegal de divisas).
Na Coan Câmbio e Turismo, que continuava funcionando mesmo sem registro em plena Avenida Brasil, no centro da cidade, os funcionários continuavam com as portas abertas, montando um pinheirinho de Natal, mas disseram que não estavam funcionando "por medida de precaução, diante das investigações da Polícia Federal".
A Ortega, que funciona em frente à Coan, os funcionários também não estavam aceitando fazer a troca das quatro moedas que circulam na região (pesos paraguaio e argentino, real e dólar).
Nos últimos dias, vários envolvidos foram convocados a prestar depoimentos na Polícia Federal de Foz do Iguaçu, onde os inquéritos correm em sigilo. Um dos envolvidos no esquema, o deputado estadual Antônio Baratter, deverá ser convidado a explicar-se na Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa.
Ele disse que o sócio majoritário da Cash Câmbio e Turismo, de Cascavel, que remeteu R$ 30 milhões ao exterior na conta de dois "laranjas", é o seu irmão, Mauro Baratter. Mauro, por sua vez, responsabilizou o ex-funcionário Romildo José Machado de Souza, ex-funcionário da Coan de Foz do Iguaçu. "O Romildo é quem tem de explicar", afirmou, explicando que o ex-funcionário trabalha atualmente em uma lavanderia (de roupas, e não mais de dinheiro de origem duvidosa) em Curitiba.
O cerco aos lavadores de dinheiro da fronteira levou vários cambistas a transferir seus negócios para Ciudad del Este, no Paraguai, onde a fiscalização é menos rigorosa. Em um ano, o número de agências credenciadas pelo Banco Central caiu de 40 para apenas 15, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo de Foz do Iguaçu, Plínio Scappini. Segundo ele, o BC fiscaliza apenas as agências credenciadas, mas existem muitas outras que funcionam na cidade, sem problemas.

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