PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Cley Scholz (enviado especial) 
Foz do Iguaçu, SP, 25 (AE) - A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná que investiga o narcotráfico pretende convocar alguns policiais para apurar denúncias de que a própria polícia estaria acobertando a atuação de traficantes. Um dos primeiros convocados será o delegado da Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), Adauto Abreu Oliveira, afastado do cargo em 97 pouco depois de prender um policial civil e denunciar outros 30 por envolvimento com o tráfico.
"Nenhuma apreensão expressiva de cocaína foi feita nos últimos anos, e, no entanto, o consumo da droga é elevadíssimo no Estado", afirmou o deputado ¶ngelo Vanhoni (PT-PR), presidente da CEI. Ele disse estranhar o fato de o delegado Adauto Oliveira ter sido reconduzido ao cargo logo quando seu nome surgiu entre as testemunhas a serem convocadas pela CPI do Narcotráfico.
O delegado já foi convidado pela CPI e adiantou que pretende mostrar provas e detalhar indícios de traficantes, ladrões de carga e de bancos que agem impunemente no Paraná. Para o deputado ¶ngelo Vanhoni, o combate ao narcotráfico praticamente deixou de existir nos últimos anos e a Força Especial de Repressão Antitóxicos não dispõe de recursos para trabalhar.
"O que mais nos preocupa são os sintomas de enriquecimento ilícito de policiais e de omissão do Poder Judiciário em relação ao tráfico", afirmou o deputado federal Roque Zimerman (PT-PR), integrante da CPI.
Em Foz do Iguaçu, integrantes da Comissão de Direitos Humanos investigam policiais com patrimônio incompatível com sua renda. Em Cascavel, o procurador da República Celso Antônio Três
que há três anos investiga a lavagem de dinheiro na região, disse que pretende fazer uma devassa nas contas dos policiais da Polícia Rodoviária Federal que trabalham no policiamento da rodovia que liga Foz do Iguaçu a Curitiba, nos postos de policiamento entre a fronteira até a cidade de Guarapuava. Ele afirma ter indícios de que os policiais rodoviários também ostentam patrimônio incompatível com a renda.


