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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 25 (AE) - O depoimento do legista Fortunato Badan Palhares à CPI do Narcotráfico, em Brasília, monopolizou hoje as atenções da população em Campinas, onde o perito reside. Pela televisão ou pelo rádio, em casa ou no local de trabalho, os moradores acompanharam o interrogatório como se fosse o último capítulo de uma novela. Até as primeiras quatro horas de depoimento, a impressão geral era de que Palhares demonstrava segurança e estava se saindo bem.
No restaurante Rosário, um dos mais tradicionais, localizado no centro da cidade, os fregueses acompanharam o depoimento por quatro aparelhos de televisão. "Se precisar, vamos usar um telão", disse o proprietário do estabelecimento, Marco Antonio Pires de Assis. A casa, que tem capacidade para 250 lugares, ficou lotada na hora do almoço, pouco depois do início do depoimento.
"Acredito nele", disse o engenheiro em telecomunicações Edmundo Veloso, referindo-se a Palhares. Mesmo depois de almoçar
ele permanecia no local acompanhando o enfrentamento entre o legista e os parlamentares. "Até agora, eles (os deputatos da CPI) falaram muito e não provaram nada", afirmou o metalúrgico Alvaro Garcia. "Essa CPI também vai acabar em pizza", disparou.
No ponto de táxi da Praça Guilherme de Almeida, no centro financeiro da cidade, todos os 13 motoristas e sete engraxates acompanhavam o depoimento pelo rádio. "Acho que ele (Palhares) sairá preso da CPI", apostou o taxista Ivan Rodrigues. A única exceção era o engraxate Antonio de Castro, de 64 anos, que acompanhava pelo rádio o noticiário esportivo. "Quero saber o que vai acontecer com a Ponte Preta depois da derrota para o São Paulo", disse.
O juiz da Vara do Juri José Henrique Rodrigues de Souza, que passava pelo local por volta das 13 horas, fez uma análise do trabalho dos parlamentares. " O trabalho da CPI é importante, mas deve respeitar a legalidade", afirmou. "A CPI tem uma função investigativa e as provas devem ser submetidas ao judiciário, que tomará as medidas penais cabíveis", disse.
No Departamento de Medicina Legal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde Palhares trabalha, as opiniões estavam divididas. O diretor do Departamento, Ricardo Molina, desafeto declarado do legista, disse que não acompanharia o depoimento. "Vou trabalhar normalmente", garantiu. Os dez funcionários da unidade chegaram a pedir para assistir ao enfrentamento, mas Figueiredo negou. A recepcionista da unidade, Mariluci Alegretti, conseguiu, porém
encontrar um jeito de acompanhar o depoimento. Com um pequeno rádio de pilha colado ao ouvido, ela não perdia nenhum lance do debate. "Estou revoltada com o que estão fazendo com ele (Palhares)", disse.
O diretor da unidade, que vinha abastecendo a CPI de informações contra Palhares, mudou o tom do discurso. "Nunca afirmei que ele (Palhares) produziu laudo falsos", disse. "Pelo menos aqui na universidade não há nenhuma denúncia formal a esse respeito", explicou.


