Brasília, 25 (AE) - Eis alguns trechos do depoimento do legista Badan Palhares à CPI do Narcotráfico: "Sinto, sinceramente, por questões de saúde, não poder ter estado presente antes a esta CPI. Eu quero manifestar a minha gratidão à CPI de poder ser ouvido, pelo menos, em relação a todas essas injúrias, essas calúnias que estão sendo imputadas à minha pessoa (...)" "O primeiro caso é um caso em que eu fui citado por ter caído como pára-quedista no Estado do Maranhão, particularmente na cidade São Luís, para espontaneamente eu me oferecer e fazer o caso do Penha Brito. (...) O dr. Nelson Massini, chefe do Departamento, foi quem recebeu o pedido para trazer um auxílio àquele pai que estava preocupado com o desaparecimento do seu filho".
"O dr. Nelson Massini se prontificou a comparecer ao Estado do Marnhão, mas por razões - que não ficaram muito claras - num determinado momento ele se furtou a esse compromisso e designou a mim e ao dr. José Eduardo para irmos ao Maranhão cuidar desse caso (...) O odontologista responsável pelo trabalho com aquele menor nos disse que tinha colocado uma resina nos dentes malares desse menor e, efetivamente, no cadáver encontrado havia uma resina. Ao perguntarmos a ele se tinha ficha odontológica do menor, ele respondeu que não tinha(...) Ele não tinha nenhum dado que pudesse nos dar a certeza de ser aquele menor efetivamente o Penha Brito. Daí a necessidade de levarmos o material para a Universidade e submeter a uma série de exames (...) retiramos cabelos de uma esponja, com que só esse menino tomava banho, e comparamos com os cabelos ainda remanescentes nos restos mortais encontrados em Alcântara. Os exames vieram completamente contraditórios(...). Nós levamos o crânio para fazer superposição de imagens, mas essa superposição não foi possível, através dessa documentação: nós não conseguimos encontrar os pontos coincidentes. Daí não termos a possibilidade de fazermos essa correlação e poder afirmar categoricamente".
"Foi também examinada uma das costelas para saber o tipo sanguíneo e não houve compatibilidade desse tipo sanguíneo. Os cabelos foram examinados também no que diz respeito ao aspecto microscóp ico: não foram compatíveis (...) Como é que nós podíamos, através dessas provas materializadas, identificar algo que não poderia estar devidamente coincidente? Enviamos também para o laboratório de biologia molecular, em Belo Horizonte, fragmentos dos ossos que estão ainda dentro da Universidade para que fossem submetidos à exame de DNA. E pelo que nós soubemos - e somente nesta semana eu recebi os resultados de Belo Horizonte - não eram totalmente compatíveis. Há uma suspeita de que possa ter havido contaminação no manuseio
o que é usual dentro desse procedimento. Poderia haver semelhança mas não havia identidade. E em perícias nós precisamos ter identidade(...) (...) existem restos mortais desse menor ainda enumados no Maranhão e dentro da própria Universidade e há possibilidade de refazermos isso sem nenhum constrangimento. Esta é a obrigação do perito: havendo dúvidas, o material foi guardado exatamente para isso, para servir para uma nova avaliação".
"O segundo caso, eu fui acusado de estar modificando o laudo do sr. PC Farias. Esta é uma das maiores ingratidões que eu posso ter como perito. Primeiro, eu jamais me ofereci, em qualquer caso, para ser perito. No caso do PC Farias, eu recebi através da reitoria da Universidade um fax emitido pelo então ministro Nelson Jobim solicitando nominalmente a nossa participação para poder auxiliar os peritos de Alagoas (...) Depois de um primeiro contato com mais de 12 horas de trabalho, onde os peritos locais, onde o delegado que presidiu o inquérito
onde o superintendente da Polícia Federal estava presente, nós acabamos sendo surpreendidos por um número imenso de fotografias
por uma quantidade imensa de fotografias que existiam a respeito dos acontecimentos. Depois de discutirmos com os peritos, passamos a ter algumas questões que nós levantamos a esses peritos e que não puderam ser respondidas com os elementos encontrados naquele material. Propusemos, então, uma série de outras atividades. E, entre essas, a da exumação dos dois corpos. Não de um único corpo (...) Só que antes de exumar, nós propusemos aos colegas fazer um convite ao prof. Sanguinetti para que ele se incorporasse a esse grupo e pudesse, com isso, tirar todas as suas dúvidas técnicas.
"O prof. Sanguinetti me respondeu textualmente: - professor, eu tenho hoje o programa do Jô Soares e não posso acompanhá-los na exumação. Pior do que isso, depois que nós tínhamos feito as exumações, depois que nós tínhamos colhido todo o material nós convidamos novamente o prof. Sanguinetti para explicarmos o que tinha sido feito e para que ele pudesse colocar alguma dúvida e nós trouxessemos essa dúvida para São Paulo para tentarmos resolver, se fosse possível resolvê-la. Mas
ele na nossa reunião - o que também está gravado - ele disse que realmente foi convidado mas não pôde comparecer. Mas, imediatamente saiu da nossa sala e foi para uma sala contígua dar uma entrevista coletiva - por sorte também gravada -, onde ele diz que nunca fora convidado para participar do grupo (...) (...) estiveram presentes durante todas as exumações, durante todo o trabalho, o representante da OAB, o representante do CRM, o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Legal, o presidente da Associação dos Peritos Criminais, representantes da Família. Portanto, esse trabalho foi feito com a maior transparência possível para evitar que esse tipo de colocações fossem objeto de discussão. Mas, infelizmente, nós não podemos impedir que essas coisas aconteçam. Outro dado interessante que eu gostaria de falar foi o relativo à altura de Suzana. Nós assinalamos - num segundo momento, evidentemente - que Suzana tinha um metro e 67".
"Num segundo laudo, produzido pela segunda equipe, dentro do caixão, assinalando como dado antropométrico um metro e 67. Não existe nenhum cadáver que cresça dentro do caixão, portanto o que nós medimos na sala de necrópsia era exatamente o tamanho que ela tinha dentro do caixão. Por outras razões - que nós não sabemos e não vamos discutir -, posteriormente esses ossos foram dissecados e, através de uma tabela internacional se chegou a uma outra altura, que foi consignada na mesma página, no mesmo laudo, como sendo um metro e 57. Portanto, essa diferença não somos nós que temos que responder.
"Um outro dado importante: foi dito que no estômago de PC foram encontrados restos alimentares, o que inviabilizaria a sobrevida dele mais tempo do que aquele estipulado por alguns peritos. (...) no conteúdo gástrico - que consta também do segundo laudo - diz de todos os elementos encontrados e diz mais: cascas de feijão semi-digeridos. Portanto, senhores, ele não tinha jantado feijão, o feijão ele tinha almoçado! (...) quando da entrega desse laudo oficial, em Maceió, foi a primeira e única ocasião em que eu vi o sr. Augusto Farias, numa distância como se estivesse na quarta ou quinta fileira deste plenário. Nunca troquei qualquer tipo de contato pessoal, nunca tive qualquer ligação com esse senhor" .

mockup