Brasília, 25 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito do Narcotráfico encontrou o que pode ser um dos elos da família do deputado Augusto Farias (PPB-AL) com a Máfia italiana, após a morte de Paulo César Farias, o PC.
No rastreamento que começou a ser feito a partir da quebra de sigilo bancário de várias contas, apareceu um cheque assinado pelo mafioso italiano Domenico Verde. O cheque era nominal à empresa Blumare Veículos, que PC abriu para os irmãos e hoje está em nome de Luiz Romero Farias. A Blumare informou que o cheque é referente a troca de peças e serviços no carro de Domenico.
O cheque encontrado pela CPI é datado de 20 de março de 1997, nove meses após a morte de Paulo César Farias e Suzana Marcolino. A suspeita da CPI é que os irmãos Farias deram continuidade aos negócios ilegais de PC após sua morte. Domenico Verde emitiu o cheque três meses antes de ser preso pela Polícia Federal, em Maceió, em junho de 1997, depois que a Justiça italiana informou que se tratava de um dos principais homens da Camorra. Verde é apontado pela Divisão Antimáfia da Itália como o homem que aproximou as máfias Camorra e Cosa Nostra no fim dos anos 80.
O cheque, do Banco Sudameris, é de R$ 1.057,87. Foi assinado pelo próprio Verde e teria sido também preenchido por ele, na opinião de parlamentares da CPI, para quem a caligrafia é ruim e de alguém que não domina o idioma.
A primeira avaliação da CPI do Narcotráfico é que o cheque, mesmo não sendo de um montante elevado para os padrões do crime organizado, mostra que o mafioso frequentou empresas da família Farias em Maceió antes de ser preso. A CPI vai checar se o carro de Domenico teria sido comprado na empresa, o que pode demonstrar outras ligações do mafioso com os Farias.
A Polícia Federal chegou até Verde depois de receber denúncia da Divisão Antimáfia, informando que o empresário, como Verde era conhecido no Brasil, tinha sido condenado a 12 anos por associação mafiosa na Itália e tinha conseguido a cidadania brasileira. Antes de ser preso, Verde estava construindo uma mansão de seis quartos ao lado da casa onde morreu PC Farias, na Praia de Guaxuma. À época, Verde não explicou a origem do dinheiro que vinha investindo no Brasil. Somente a mansão que estava sendo construída na praia valia US$ 1 milhão.
Augusto - A família de PC Farias recebeu com estranheza a notícia de que a CPI tem um cheque do mafioso italiano para a empresa Blumare. Apesar de a prisão do mafioso italiano em Alagoas ter sido notícia em quase todos os veículos de comunicação do País, o deputado Augusto Farias, procurado pela Agência Estado, disse que não sabe quem é Domenico Verde e nunca tinha ouvido esse nome em sua vida. "Nunca ouvi falar."
A Blumare está atualmente em nome de seu irmão Luiz Romero Farias, em sociedade com outra pessoa. Romero não quis falar sobre o mafioso e pediu que a reportagem procurasse o diretor-financeiro da empresa, Wenceslau Moreira dos Santos, que informou tratar-se de serviços e peças no carro de Verde. A Blumare enviou cópia da nota fiscal à reportagem da AE, emitida em nome de Domenico Verde, referente a uma revisão completa no automóvel.

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