São Paulo, 25 (AE) - Cerca de 300 famílias sem-teto foram retiradas hoje do Edifício Doutor Erasmo de Assumpção, na Avenida Ipiranga, 1.248, centro de São Paulo. Integrantes da entidade Novo Grupo do Centro, elas ocupavam o prédio desde 10 de julho. Para cumprir a decisão judicial de reintegração de posse, policiais militares, bombeiros e guardas de trânsito começaram a ocupar as imediações do imóvel às 6h30. Temendo tumultos, comerciantes da região não abriram as portas, mas não foram registrados incidentes.
"Já vínhamos conversando com os sem-teto sobre a ação"
explicou o major da Polícia Militar José Everardo. "Os únicos problemas foram alguns bêbados e uma senhora que entrou em trabalho de parto." A gestante, Maria José Bezerra da Silva, de 25 anos, foi levada pela equipe de resgate até a Santa Casa de Misericórdia, onde deu à luz um menino. Ela passa bem e deve ter alta amanhã (26). O marido, Carlos Antônio, continuava com os sem-teto. "Fiquei para cuidar das outras cinco crianças, mas gostaria de saber para onde vamos."
A dúvida de Silva era a mesma de outras famílias despejadas. A desempregada Conceição dos Santos era uma das mais apreensivas. Viúva há quatro meses, ela acaba de dar à luz trigêmeos - pela segunda vez. Ao todo, tem nove filhos. "Antes ao menos tinha um lugar para repousar; e agora?"
Móveis - Segundo um dos integrantes do movimento, Sérgio Gonçalves da Silva, 30% das famílias seguiram para a casa de parentes e conhecidos e 70% não tinham para onde ir. Os móveis foram levados provisoriamente para a sede da Comunidade Missionária da Igreja São Francisco. "No momento o que podemos oferecer é solidariedade para que deixem suas coisas, mas as famílias não podem viver aqui", lamentava o responsável pela instituição, Gilberto Santos Silva.
Essa foi a segunda invasão do imóvel, desativado há três anos. A primeira foi de 13 de fevereiro a 29 de maio. Para evitar nova ocupação, o prédio deve ter a entrada bloqueada por uma parede. O edifício pertence à administradora de imóveis Auxiliar. Segundo o advogado da empresa, Adauto Fernandes de Lima, as condições do prédio eram precárias. "As famílias estavam num barril de pólvora, cheio de ligações clandestinas de luz e botijões de gás instalados em locais inadequados", disse. "Agora, ele será limpo, reformado e, provavelmente, alugado."

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