Brasília, 25 (AE) - Na próxima semana começa uma megaoperação para erradicar o plantio de maconha no polígono da maconha, no sertão pernambucano. Outro objetivo é restabelecer o sentimento de segurança pública da população. Participam da operação 1.500 homens do Exército, Marinha, Aeronáutica, a Polícia Federal, juízes e promotores. O trabalho será coordenado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
Enquanto as Forças Armadas ajudam no combate ao tráfico, o Banco do Nordeste oferece financiamento, dentro do projeto Moxotó-Pajeú, às famílias para que deixem o cultivo da droga. O projeto, criado pelo governo federal, prevê investimento de R$ 50 milhões em crédito para as populações dos 20 municípios do polígono da maconha, na divisa de Pernambuco e Bahia. O banco já liberou R$ 23,6 milhões para os agricultores. Até 2003, segundo a diretora do projeto, Rita Valente, serão investidos R$ 400 milhões na área. Os empréstimos podem ser pagos em até oito anos
com três anos de carência .
Mandacaru - A operação, que vai contar também com homens da Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama, Funai, Senad e do Ministério do Meio Ambiente (MMA), além do serviço de inteligência da Presidência da República, foi anunciada hoje pelo ministro-chefe da Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Cardoso. As secretarias de Segurança do Pernambuco, Bahia, Piauí, Ceará e Alagoas, além de juízes e promotores, participam das ações.
A operação é chamada Mandacaru e vem sendo preparada desde outubro. Vai custar R$ 7,5 milhões à União. Segundo o general Cardoso, as Forças Armadas - só o Exército mobilizará 1.050 homenes para a região - vão atuar numa extensão de 40 mil quilômetros quadrados, que abrange 20 municípios do Pernambuco e Bahia. A população na área é de 450 mil habitantes. Desses, de acordo com o serviço de inteligência da Presidência, cerca de 40 mil pessoas teriam envolvimento com o tráfico.
Os municípios de Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó, Orocó, Petrolândia, Belém do São Francisco, Floresta, Itacuruba, Carnaubeira da Penha, Serra Talhada, Salgueiro, Paranamirim e Ouricuri são os principais alvos da operação. Essas áreas são consideradas produtores de maconha de larga escala.
Segundo o general Alberto Cardoso, a operação não se restringirá à erradicação do plantio de maconha. As forças federais, que são usadas pela primeira vez de forma ostensiva no combate ao tráfico de drogas, vão atuar para apreender armas ilegais, interceptar o transporte de maconha, reprimir a atuação de criminosos nas estradas e apoiar as polícias federal e rodoviária no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Inteligência - O general explicou que a operação será desencadeada com base em relatórios preparados por agentes do serviço de inteligência da Presidência, que ficaram dois meses na região. Os agentes entregaram ao governo um documento com trinta sugestões para erradicar a droga no sertão de PE. Para o general, o anúncio da operação Mandacaru não comprometerá seus resultados porque o trabalho, apesar de repressivo, é para reestabelecer na população o sentimento de segurança pública.
Lavagem - Técnicos da Receita Federal farão o cruzamento das informações das declarações de renda com a movimentação financeira de pessoas da região. O trabalho será coordenado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda e vai verificar a possibilidade de lavagem de dinheiro originário da droga. Nas investigações preliminares, o serviço de inteligêncida da Presidência constatou que famílias
algumas delas influentes da região, tiveram entrada de dinheiro das plantações de maconha em seus orçamentos. Na região há pessoas com patrimônio imcompatível com a renda.

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