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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 25 (AE) - Setenta deputados federais aderiram à Frente Parlamentar de Cancerologia, lançada hoje na Câmara para defender os interesses de pacientes, médicos e hospitais que fazem tratamento contra o câncer. "Podemos agir para acelerar a tramitação de projetos de interesse dos doentes", disse a coordenadora da frente, deputada Tetê Bezerra (PMDB-MT).
A criação da frente coincidiu com o Dia Internacional do Paciente com Câncer. Segundo o Napacan -Grupo de Apoio ao Paciente com Câncer, o câncer é a segunda doença que mais mata no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Sábado (27) é o Dia Internacional de Combate ao Câncer.
De acordo com Tetê, há 18 projetos na Casa aguardando votação. Entre eles, está a proposta do deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF), que prevê a doação de analgésicos para doentes terminais de famílias carentes. "Em vez de apenas um deputado, haverá uma frente trabalhando em defesa de cada projeto", afirmou Queiroz. Os deputados vão lutar ainda por verbas para o setor, além de acompanhar a execução orçamentária do governo em programas de prevenção.
A Frente Parlamentar de Cancerologia é multipartidária e vai atuar em parceria com a Sociedade Brasileira de Cancerologia
o Instituto Nacional do Câncer e o Napacan - , entre outras instituições. "O paciente com câncer não tem voz", disse a presidente do Napacan, Graça Marques.
Diagnóasticos - Com 270 mil novos casos por ano - número que vem aumentando cerca de 20% ao ano -, o Brasil tropeça nos diagnósticos tardios. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Gomes, 70% dos diagnósticos são feitos quando a doença já está na fase avançada e as chances de cura são bastante reduzidas. Morrem por ano 120 mil pacientes no País.
Para o vice-diretor do Instituto Nacional do Câncer, José Kogut, a frente parlamentar vai aumentar a mobilização da sociedade brasileira em torno da luta contra o câncer. Kogut citou o caso dos Estados Unidos, onde, após a 2.ª Guerra Mundial
uma campanha liderada por mulheres disseminou entre os norte-americanos a prática do exame de colo de útero para a identificação do câncer ginecológico.
Filas - Gomes lembrou que os hospitais da rede pública são insuficientes para atender à demanda por tratamento e, mesmo com os serviços dos hospitais filantrópicos, boa parte dos doentes não recebe assistência no momento em que precisa. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, 40% dos pacientes precisam entrar em filas de espera para ser internados.
Graça Marques, do Napacan, defendeu a destinação de mais recursos para a realização de cirurgias oncológicas, em especial nos hospitais filantrópicos especializados nesse tipo de atendimento. "Uma cirurgia feita na hora certa salva a vida de um paciente", afirmou ela, que, à frente do Napacan, presta serviços para melhorar a qualidade de vida de quem tem câncer e luta pela aprovação de leis que beneficiem os doentes.
A deputada Celcita Pinheiro (PFL/MT) destacou a importância dos investimentos em educação e orientação à população carente sobre os sintomas da doença e a necessidade de fazer exames periódicos - como o de mama e de colo de útero, no caso das mulheres, e o de próstata, no dos homens. "Isso é fundamental para que as pessoas enfrentem o médico e façam a prevenção", declarou Celcita.
Para a coordenadora Tetê, o País deve investir nas campanhas de esclarecimento e prevenção. Um dos projetos que tramitam na Casa, segundo ela, prevê a criação da Semana de Prevenção do Câncer de Próstata. Segundo Queiroz, fazer campanhas massivas de exames oncológicos significa contribuir decisivamente para a diminuição dos casos de câncer no País.


