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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 25 (AE) - Os promotores do Grupo de Atuação Especial Contra Crime Organizado (Gaeco) vão investigar o possível envolvimento de funcionários da Prefeitura de São Paulo que trabalham no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na fraude. Eles participariam do esquema de desbloqueio irregular de multas, como as por excesso de velocidade, para que veículos fossem licenciados sem a quitação dos valores devidos.
O desbloqueio de multas é uma das irregularidades investigadas pela força-tarefa do Gaeco e da Polícia Civil. Funcionários com senhas entravam no computadores do Detran e retiravam as informações sobre as multas para que o veículo pudesse ser licenciado sem o pagamento. Quinze dias depois, quando a tranferência do carro já estivesse feita, a informação retornava aos arquivos.
De acordo com o promotor Marcelo Mendroni, do Gaeco, havia funcionários da prefeitura que dispunham de senhas para desbloquear multar nos computadores do órgão. "Nós vamos investigar a participação desses funcionários", disse. O primeiro alvo dos promotores é Marco Antônio Comite, funcionário da Companhia ade Engenharia de Tráfego (CET). A reportagem do Jornal da Tarde conseguiu, por intermédio de Comite, licenciar um Opala sem que o veículo passasse pela vistoria do Detran e sem que as multas de R$ 550,00 fossem pagas. Para isso foram pagos R$ 30,00 para evitar a vistoria e R$ 50,00 para que o bloqueio das multas fosse retirado dos computadores.
ACAREAÇÃO - A acareação entre o ex-despachante Willian Lacerda e o despachante Norival Barbosa deve ser feita ainda hoje. Lacerda foi preso na semana passada e revelou a existência de uma verdadeira tabela de propinas no Detran. Após o depoimento, ele foi libertado por ter colaborado nas investigações. Ele chegou acompanhado por seu advogado na sede do Gaeco, no centro, por volta das 14 horas, mas a acareação foi transferida para o Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), no Butantã.
Barbosa já estava no Dird aguardando. Detido desde a quinta-feira da semana passada, ele nega ter conhecimento do esquema de corrupção no Detran. "Nunca quis saber de nada", afirmou. Barbosa afirmou que trabalhou muito para reunir seu patrimônio. "Acordo de madrugada, já estou às 5 horas no Detran e vou dormir às 23 horas", afirmou. Ele disse ter duas casas, uma delas em uma praia do litoral paulista.
Para ele, as acusações feitas são uma armação e fruto da inveja de seus colegas despachantes. "Eu só faço o meu serviço quietinho; tenho amigos promotores e delegados do alto escalão, se eles pudessem me levavam no colo." Barbosa afirmou que ia apresentar-se para depor, mas acabou sendo preso um dia antes de fazer isso. "Eu guardo meu dinheiro e ganho bem." Na cadeia do 29.º Ditrito Policia, Barbosa divide a cela com o ex-vereador Vicente Viscome.


