PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Liana John 
Recife, 25 (AE) - A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) lançou hoje, durante a reunião da Convenção de Combate à Desertificação, o livro"Desertificação". A publicação reúne artigos de profissionais brasileiros que participaram da elaboração de um diagnóstico nacional para a convenção. Também propõe um sistema de indicadores de desertificação para a América Latina e Caribe.
Entre os efeitos nefastos da desertificação destacados no livro está um estudo sobre a saúde e as condições sócio-econômicas e de saneamento nos 129 municípios do sertão nordestino mais afetados . O artigo, de Paulo Pitanga do Amparo, do Ministério da Integração Nacional, e Betina Ferraz, consultora do Banco Mundial, mostra que o total de pobres (rendimento inferior a meio salário mínimo) nestes municípios fica entre 80 e 90% da população, enquanto a média nordestina é 71% e a do Brasil 45%. Menos de 10% das casas têm instalações adequadas de esgotos, quando a média nordestina é 22% e a nacional 46%. E o abastecimento de água só atinge 20% da população, quando, no Nordeste, chega a 43% e, no Brasil, 70%.
Como resultado, a expectativa de vida é de 58 anos, contra 60 anos no Nordeste e 63, no Brasil. A metade dos óbitos está relacionada a afecções mal definidas. E em quarto lugar entre as causas de morte estão as afecções perinatais, demonstrando a fragilidade da assistência médica e da saúde preventiva.
Os autores contam uma experiência realizada no Ceará, nos últimos 5 anos, onde o investimento em exames pré-natais e em campanhas de vacinação mudou o quadro de saúde no sertão. As taxas de mortalidade infantil caíram de 102 por mil para 65 e a taxa de imunização subiu de 25 para 90%.


