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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 25 (AE) - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior voltou a criticar o governo Fernando Henrique Cardoso e cobrou hoje de cerca de 70 universitários maior participação na política nacional. O encontro é parte da campanha para inocentar Rainha no novo julgamento, marcado para dezembro. Ele é acusado pela morte de um policial militar e de um fazendeiro em 1989, em Pedro Canário
ES.
O líder sem-terra foi aplaudido ao defender a reforma agrária e criticar o governo. "O presidente não tem mais o que vender, só falta ele privatizar o povo", afirmou."Vocês vão ter família, o poder aquisitivo vai diminuir, vai faltar emprego e vocês vão ter de reagir", disse Rainha. "Tem um monte de gente sabida aqui e uma hora vocês pegam todo esse conhecimento e colocam a serviço da sociedade". A reunião durou cerca de duas horas.
Rainha disse aos estudantes estar confiante em sua absolvição. "A Justiça teve tempo de raciocinar e sabe que a primeira condenação foi uma decisão política", acredita. Ele foi condenado, em 1997, a 26 anos e seis meses de prisão pelo assassinato do fazendeiro José Machado Neto, morto em 1989 durante a invasão de sua fazenda, em Pedro Canário (ES), e do policial militar Sérgio Narciso. Rainha é acusado ainda de ter organizado os trabalhadores que ocuparam a propriedade, mas ele alega que estava no Ceará.
Como a sentença foi superior ao período de 19 anos, obteve direito a novo julgamento. O júri foi transferido para Vitória e marcado para 13 de dezembro, porque o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) entendeu haver risco de julgamento parcial em Pedro Canário, município onde ocorreu o crime.


