Recife, 25 (AE) - A diretoria do Centro de Mamíferos Marinhos, de Itamaracá, PE, assinou hoje um convênio com o Ministério do Meio Ambiente e a Fundação de Mamíferos Marinhos para fazer uma campanha de conscientização e levantamento das populações do peixe-boi amazônico. O ministério vai contribuir com R$ 96 mil reais e a fundação com R$ 104 mil. A Petrobras, parceira em outras iniciativas, entrará com R$ 60 mil.
O Centro de Mamíferos Marinhos fez um levantamento semelhante em toda a costa entre o sul da Bahia e o Amapá, em 1990. Daí nasceu o projeto de preservação da espécie, o único no mundo, que visa a reintrodução na natureza. Durante o levantamento, conta Régis Pinto de Lima, coordenador do Projeto Peixe-Boi, "verificamos que o encalhe de recém-nascidos era um dos problemas mais graves e iniciamos um trabalho de resgate e recuperação destes filhotes".
Os recém nascidos encalham nas praias porque os estuários ou entradas para os mangues muitas vezes se encontram fechados pelo homem e a fêmea do peixe-boi, prestes a dar à luz, não consegue chegar a locais abrigados. Acaba parindo no mar aberto e perde o filhote nas ondas. Desde a instalação do primeiro oceanário, há 8 anos, o Centro do Peixe Boi conseguiu recuperar e amamentar 26 destes filhotes.
A primeira resgatada - Sereia - deu à luz a gêmeas, em cativeiro, no ano passado. Seis destes peixes-boi foram reintroduzidos na natureza e são monitorados por telemetria. Quatro continuam saudáveis e viajam centenas de quilômetros entre Alagoas e o Rio Grande do Norte, um desapareceu e o outro foi morto ao engolir uma bomba, utilizada ilegalmente para a pesca, em Alagoas.
Agora os novos recursos servirão para o mesmo tipo de trabalho na Amazônia. No ano 2000 serão percorridas cinco áreas - Jaú, Anavilhanas, Balbina, Juruá e Abofari - para se conhecer o status dos peixes-bois amazônicos, das quatro espécies existentes no mundo é a única de água doce. "Sabemos que vamos encontrar mais resistência à preservação dos peixes-boi na Amazônia, onde eles ainda são muito caçados e sua carne e óleo muito apreciados", observa Lima. "Mas contamos com o apoio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que faz a Operação Vazante com bons resultados há 3 anos".
Na operação, fiscais do Ibama procuram coibir a caça do peixe-boi, mais exposto nesta época porque as águas estão baixas. Em 1997, foram apreendidos cerca de 600 peixes-boi. Em 1998, a operação ganhou a adesão de 150 voluntários, mobilizados pela Fundação Mamíferos Marinhos num trabalho de conscientização
e foram cerca de 300 apreensões. Em 1999, o número caiu para 70
até agora, segundo Denise Castro, da fundação.
Além de estender seu trabalho de preservação para a Amazônia, o Centro de Mamíferos Marinhos de Itamaracá está em obras, para se transformar no Eco-Parque Peixe-Boi & Cia. Os oceanários, lojinha e centro de educação ambiental, que já existem e são visitados por turistas, serão reformados e o Eco-Parque ainda terá restaurantes, aquário, cinema de filmes da natureza e uma passarela sobre o mangue. O custo total do empreendimento é estimado em 10 milhões, 6 dos quais já foram obtidos pelo centro. "Faltam, a rigor, 2 milhões, porque os outros dois conseguiríamos facilmente com a arrecadação própria", diz Régis Pinto de Lima. Os ministérios do Meio Ambiente e de Turismo e Esportes já estão contribuindo. O restante deverá vir da iniciativa privada.

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