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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 25 (AE) - A fazenda Santo Antonio, localizada a 35 quilômetros de Parauapebas, no sudeste do Pará, foi invadida e ocupada hoje por 150 famílias de lavradores integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Eles exigem do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a desapropriação imediata da área para assentamento dos lavradores
alegando que a fazenda é improdutiva.
A área invadida é vizinha à fazenda Goiás II, onde há dois anos foram assassinados os líderes do MST na região, Onalício Araújo, o Fusquinha, e Valentim Serra, o Doutor. De acordo com Varli Onório, proprietário da Santo Antonio, o MST está danificando cercas, estragando alimentos dos animais, além de matar o gado da fazenda. Ele disse que os sem-terra parecem dispostos a não sair da área, onde já começaram a plantar milho e arroz.
Onório denunciou que tanto ele como seus empregados estão sofrendo ameaças diárias dos homens do MST. "O que o MST quer mesmo é nos impedir de trabalhar e expulsar a todos da fazenda. Se pensam que estamos querendo vender a terra estão muito enganados. Não pensamos nisso e muito menos em negociar qualquer coisa".
O coordenador do MST na região, Douglas Alves, nega que a área onde os lavradores estão plantando milho e e feijão esteja dentro da Santo Antonio. Quanto à fazenda, ele afirma que a desapropriação é uma antiga aspiração dos trabalhadores. "Estamos lutando há dois anos por essa terra. O próprio Incra já definiu a fazenda como improdutiva. Então, nada mais falta para que ela seja desapropriada", disse Alves, garantindo que os sem-terra irão permanecer na fazenda.
A direção do Incra em Marabá informou que ainda está estudando a desapropriação da fazenda para assentamento de trabalhadores cadastrados pela reforma agrária.


