Rio, 25 (AE) - O público homossexual vai ganhar uma bebida para seus brindes. Será lançada amanhã, no I Festival da Cachaça de Petrópolis, na região serrana, a Cachaça Gay, produzida em Bemposta, distrito da cidade vizinha de Três Rios. A iniciativa é do fiscal de alfândega aposentado Armando Martins
que registrou o nome há seis anos, mas só recentemente encontrou uma bebida com qualidade à altura dos consumidores que pretende atingir. "É uma cachaça envelhecida dois anos em barril de carvalho e que não deixa gosto na boca ou cheiro em quem bebe", garante Martins. "Tenho amigos gays e sempre quis homenageá-los." Apesar do nome dado à sua cachaça, Martins espera alcançar não só o público GLS (ou seja de gays, lésbicas e simpatizantes), mas todos os apreciadores da boa cachaça, que segundo ele, se bem feita, com materia-prima adequada, pode alcançar a qualidade de um bom uísque escocês.
Tal como o bom malte, a Gay deve ser bebida pura, nunca como ingrediente de caipirinha ou batida. "Seria um crime desperdiçá-la num coquetel, pois se perderia o melhor da cachaça
que é o gosto", avisa Martins, que recomenda moderação no consumo.
Ele entra num mercado que, segundo os organizadores do I Festival da Cachaça, movimenta R$ 3 bilhões por ano e gera 30 mil empregos, a maioria em pequenas e médias empresas. São Paulo
capital e interior, é o maior produtor e consumidor de cachaça do Brasil, seguido do Rio de Janeiro, que liderava esse ranking até os ano 50 e agora tenta reaver o posto. A Gay não vai mudar essa situação, mas pode viajar muito.
Martins pretende vendê-la no Brasil por reembolso postal e exportar para os Estados Unidos e Canadá, apesar de o alambique artesanal que a fabrica ter capacidade para produzir apenas dois mil litros de Cachaça Gay por mês.
A produção é pequena, reconhece Martins, mas não há como aumentá-la e manter a qualidade da bebida, especialmente porque, para os entendedores (ou entendidos, já que a cachaça é Gay), não há maior ofensa que chamar a bebida de aguardente. "Cachaça é feita em alambique artesanal, de cana cultivada sem adubo químico", explica o produtor da Gay. "Já a aguardente tem produção industrial, pode ser feita com qualquer cana de açúcar e custa muito mais barato que a verdadeira cachaça."

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