Rio, 25 (AE) - Se tudo der certo, até meados do ano que vem, os remédios genéricos (que trazem a indicação da substância ativa e não o nome fantasia dado pelos laboratórios) serão encontrados nas farmácias brasileiras. A lei que os regulamenta foi aprovada pelo Congresso em fevereiro desse ano, regulamentada em setembro e 50 medicamentos já estão em processo de aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS).
"Tudo vai depender da agilidade da ANVS, dos laboratórios que testam os genéricos e da disponibilidade financeira dos laboratórios que se candidatam a fabricá-los", disse a presidente da sessão fluminense do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Guaciara Correia de Matos. Hoje, o CRM promoveu um debate sobre a Lei 9787/99, dos genéricos, para esclarecer médicos, farmacêuticos e donos de farmácias sobre o assunto.
"Essa questão envolve a área médica, educacional - pois os profissionais devem aprender a lidar com os genéricos -, e econômica, uma vez que envolve interesse dos laboratórios." Guaciara explicou que genéricos devem ser autorizados pela ANVS, depois que a patente torna-se de domínio público, o que no Brasil demora 20 anos. Atualmente existem remédios similares (com o mesmo princípio ativo e eficácia dos patenteados), mas para se tornarem genéricos devem passar por testes para comprovar não só que a substancia ativa é a mesma, mas também sua ação no organismo humano. A ANVS está privilegiando os testes com antibióticos porque são os medicamentos mais caros e os mais consumidos erradamente.
"A chegada dos genéricos ao mercado representa uma economia de 40% a 50% para o Estado e para o consumidor, pois significa o aumento da oferta de medicamentos", explicou Guaciara. "Foi o que aconteceu nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde os genéricos existem deste a década de 80, mas também lá sua implantação não se deu sem conflito, pois envolve o interesse de indústrias de grande força econômica".
Atualmente todos os remédios brasileiros devem trazer, por lei, a indicação da substância ativa e seus efeitos no organismo humano. Guaciara considera essa obrigatoriedade um avanço, que será completado quando os genéricos estiverem disponíveis no mercado.

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