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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Elenita Fogaça 
São Paulo, 25 (AE) - Um incêndio da favela sob a ponte do Tatuapé provocou a paralisação dos trens do Metrô. Revoltados, os passageiros decidiram invadir os trilhos e continuaram a viagem a pé.
Luciano de Souza, de 17 anos, Wellington de Paula, de 18, José Carlos Resende, 19, Reginaldo Lessa, 24, todos moradores de Itaquera, enfrentaram a caminhada da estação Brás até as proximidades da estação Belém pelos trilhos.
Segundo os garotos, foram os próprios seguranças do Metrô que autorizaram a fuga pelos trilhos. Quando chegaram na altura da estação Tatuapé, próximo ao incêndio, tiveram de pular o muro e seguir pela Radial Leste. "Esse Metrô tá uma porcaria", disse Luciano. "O incêndio foi na avenida e em nada estava atrapalhando a passagem do trem", sugeriu.
Mais revoltada ainda estava a secretária Cristina de Souza. Estudante da Universidade Cruzeiro do Sul, não conseguiu chegar a tempo e decidiu ficar no Tatuapé. "O pior é que eu só tinha dinheiro para essa passagem."
Vítima - Morador da favela há 10 anos, Francisco Manoel de Souza, de 52 anos, observava de longe o trabalho dos bombeiros. "Estou com meus quatro filhos e não tenho para onde ir", disse.
Segundo Souza, como ele é um dos moradores mais antigos. Nos últimos tempos ele não estava dormindo mais. "Ficava acordado 24 horas para proteger os barracos, pois nós estávamos recebendo muitas ameaças de incêndio", revelou.
A dona de casa Maria do Socorro Silva, de 52 anos, disse que já presenciou mais de seis incêndios no local. "Meu barraco sempre escapava mas desta vez não teve jeito", lamentou.


