Rio, 25 (AE) - O oftalmologista José Ricardo Rehder e o nadador e medalhista olímpico Gustavo Borges lançaram hoje, no Rio, projeto que visa a oferecer atendimento gratuito a pessoas que sofrem de glaucoma ou que podem vir a desenvolver a doença. Em sua primeira etapa, o projeto vai servir à população de quatro cidades do ABC paulista. As prefeituras de São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires e Mauá vão manter postos médicos abertos dias 4 e 5 de dezembro, das 8 às 17 horas, para receber os pacientes.
Rehder é o coordenador do projeto e conta com o apoio da Faculdade de Medicina do ABC, da qual é professor-titular de Oftalmologia, para expandir a campanha a partir de 2000 por todo o País. "Essa iniciativa no ABC vai ser o nosso plano-piloto para um trabalho maior", disse. A equipe do Projeto Glaucoma do ABC é formada por 50 oftalmologistas e cem acadêmicos.
O glaucoma ocorre quando uma alteração na pressão intra-ocular afeta o nervo ótico. A doença pode levar à cegueira e os exames periódicos são a melhor maneira de evitar as consequências mais graves. Se detectado numa fase inicial, o glaucoma pode ser controlado com uma gota diária de colírio. "Podemos estacionar a doença, mas ela não tem cura", explica Rehder. O tratamento também pode se dar por meio da ingestão de comprimidos. A cirurgia é o último recurso e o paciente só deve ser submetido a essa intervenção para impedir a progressão da lesão do nervo ótico.
O risco de contrair o glaucoma passa a ser maior para as pessoas acima de 40 anos. "Acho importante que os atletas se manifestem a favor dessas campanhas, sem fins lucrativos, e que têm fim social", destacou Borges, que cedeu a sua imagem para o projeto. De acordo com Rehder, 67 milhões de pessoas devem ficar cegas em 2000 por causa do glaucoma.
Amazônia - O oftalmologista viaja no início de dezembro para pôr em prática outro projeto: o Amazônia Visão 2000. Por três semanas, sua equipe viajará a bordo de um navio-hospital pelo Rio Madeira para atender as populações ribeirinhas e a várias comunidades indígenas.
"Vamos reeditar o Hospital Oftalmológico Flutuante", conta, lembrando que já presta essa assistência há três anos, com o apoio do Ministério da Saúde. "Na última vez, atendemos 2.600 pessoas e realizamos em torno de 150 cirurgias." O Amazônia Visão 2000 é uma iniciativa conjunta da Faculdade de Medicina do ABC, do Hospital Naval Marcílio Dias, do Hospital Naval de Belém e do Hospital da Forças Armadas de Brasília, com o apoio dos Ministérios da Saúde e Marinha, que financiam o projeto. O hospital flutuante dispõe de material cirúrgico e clínico e está equipado para tratar casos de catarata e pterigio
doenças oftalmológicas de maior incidência na Amazônia e que também podem levar à cegueira. "O alcance social desses projetos é o de poder reintegrar a pessoa à sua atividade normal", diz o médico.

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