São Paulo, 25 (AE) - A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (Abcf) demonstrou hoje, em São Paulo, que o dinheiro de plástico que deverá circular no Brasil em abril, por volta da data comemorativa do Descobrimento do Brasil, poderá facilmente ser falsificado. O Banco Central do Brasil fechou contrato com a Securency, joint venture entre o Banco Central da Austrália e uma empresa da Bélgica, para o fornecimento de matérias-primas destinadas à confecção de 250 milhões de cédulas em 2000.
A perita Itsuko Hida realizou testes com o dinheiro de plástico que circula na Austrália e na Tailândia e constatou a ausência de diversos mecanismos de segurança, como marca dágua, fio plástico, filetes coloridos e fibras ópticas, que hoje estão incorporados ao dinheiro de papel. O Banco Central argumentou ontem que o dinheiro de plástico brasileiro é muito mais seguro e terá mais instrumentos de segurança que o tradicional dinheiro de papel. Além disso, o BC explicou que o dinheiro novo será usado apenas para a comemoração dos 500 anos do Descobrimento.
Segundo o diretor da Abcf, Fernando Ramazzini, à medida que a situação econômica aperta o País sofre mais com a falsificação de moeda. "Pelo menos 20% de cada lote de 1 bilhão de cédulas em circulação no Brasil hoje são falsificados", afirmou. "Nosso receio com o novo dinheiro é que aumente o volume de falsificação no País."
Hoje a Abcf mostrou à imprensa cédulas de plástico falsificadas, utilizando com base a cédula comemorativa que está ilustrada no site do BC, feita numa gráfica na capital. Para fazer o dinheiro, a gráfica utilizou um scanner, polipropileno biorientado (plástico) comprado em papelaria, e imprimiu pelo sistema off-set.
A entidade também aproveitou para enviar cédulas às autoridades brasileiras, em Brasília. "Temos 10 mil gráficas em São Paulo com capacidade para falsificar o dinheiro de plástico", disse Ramazzini.
Embora não pretenda oficializar o dinheiro de plástico, a menos que esse seja um desejo da população, o BC pagou o dobro do preço para confeccionar 250 milhões de cédulas comemorativas dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Carta enviada em junho pelo presidente da Casa da Moeda do Brasil (CMB), Tarcísio Jorge Caldas Pereira, ao Chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, José dos Santos Barbosa, alertou o Banco Central sobre os custos do novo dinheiro.
Pelas contas da CMB, o milheiro das notas de papel custa entre R$ 52 e R$ 61, enquanto o dinheiro de plástico chega a R$ 128 o milheiro. Segundo uma fonte do mercado, o BC, para justificar a compra do dinheiro de plástico, argumenta que o preço é o dobro, mas o produto dura quatro vezes mais. "O plástico pode ter essa durabilidade, mas a impressão não, pois a duração é a mesma em ambas as moedas."

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